ECONOMIA

Lula diz que Brasil tem ‘seriedade fiscal’ e que pobre não vai pagar a conta do ajuste

6 de novembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Presidente se reuniu na quinta-feira com economistas e governo prepara medidas para reforçar controle das contas públicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva  – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Pressionado a apresentar medidas de controle das contas públicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que o Brasil tem “seriedade fiscal” e que os mais pobres não vão pagar conta do ajuste fiscal.

– Quantos países do mundo tem a seriedade fiscal que nós temos? Quantos? Qual a dívida interna dos Estados Unidos? Da França? Do Japão? Da itália? Perto da nossa é o dobro em relação ao PIB – afirmou, na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Na sequência da sua fala, Lula pediu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a apresentar à imprensa os dados sobre a situação da dívida pública brasileira, destacando a situação fiscal do país quando Lula retomou o poder em 2023.

– Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal? Alguém pode falar? Se alguém falar que a gente não tem, as pessoas precisam dizer como nós pegamos esse governo, se as pessoas não disserem como encontramos esse governo, não tem comparativo – disse.

A declaração ocorre após Lula se reunir, nesta quinta-feira, com ministros, ex-integrantes do governo e economistas para discutir a política econômica. Segundo Durigan, as propostas em estudo só serão apresentadas a Lula após o retorno do presidente de uma viagem internacional, previsto para o dia 16.

Na coletiva desta sexta-feira, Lula afirmou que entrou no terceiro mandato com um déficit de 2,8% do PIB e o orçamento agora tem superávit.

– Estamos entregando o orçamento agora com superávit, não é o que sistema financeiro quer. O que ele quer é tudo. Não, é o que podemos fazer. A única coisa que eles têm que saber é que o pobre não pagará a conta – disse. – A única coisa que eles devem saber é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício.

O presidente, em seguida, lembrou dos seus dois primeiros governos, entre 2003 e 2010. Disse que foi o único presidente do G20 nesse período a entregar superávit todos os anos. E citou as políticas sociais, como o reajuste real do salário mínimo.

– O que nós precisamos fazer nesse país é dizer o seguinte, que esse país vai continuar tendo responsabilidade social – disse.

Lula prosseguiu, elogiando a equipe econômica do seu governo.

– Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica. Esses meninos que ganham pouco, se matam de trabalhar, são xingados, brigando com outros ministros porque tem que tirar dois tostões de um [ministério] para colocar em outro, ficamos o ano inteiro brigando, para manter a política fiscal com responsabilidade.

Reunião com economistas

O presidente falou sobre responsabilidade fiscal pelo segundo dia consecutivo. Na quinta-feira, ele disse também que, para atrair investimentos, a economia do país precisa estar “arrumada”, num tom similar ao que foi preparado para o pronunciamento marcado para domingo.

Na quinta-feira, Lula reuniu ministros, ex-auxiliares e economistas para discutir a conjuntura econômica do país. Na sequência, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas em estudo só serão levadas ao petista depois que ele voltar da viagem internacional que começa na próxima semana, com passagem pela COP31, na Turquia.

Participaram da reunião do Palácio da Alvorada, além de Durigan, o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, e nomes do cenário econômico, como Laura Carvalho e Eduardo Moreira, de viés mais progressista, entre outros.

Integrantes do governo afirmam que essa é uma primeira rodada de encontros em que Lula pretende ouvir opiniões sobre a conjuntura econômica do país. A expectativa é que ocorram novas reuniões ouvindo outros economistas e também empresários. Após o encontro, Durigan disse que o encontro tratou de diagnóstico e de caminhos, mas não de medidas específicas.

Lula gravou um pronunciamento para ser exibido em rede de rádio e TV no próximo domingo. O presidente deve evidenciar que está preocupado com a trajetória de crescimento da dívida pública e reforçar seu compromisso com o cenário de melhora nos resultados primários previstos.

A ideia é mostrar que o governo vai trabalhar para criar condições para a queda de juros, o que ajuda a conter a dívida, mas sem abdicar dos compromissos sociais do governo.

Segundo relataram interlocutores do governo, não está previsto o anúncio de medidas específicas, e a ideia do pronunciamento é ser algo bem mais amplo do que a agenda econômica, um discurso de pacificação e agradecimento pela vitória nas urnas.

Efetivamente, Lula tem discutido com seus principais auxiliares medidas para fortalecer o cenário de alcance da trajetória fiscal indicada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sem prescindir dos compromissos sociais.

BS20261106160754.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/11/06/lula-ajuste.ghtml

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