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Presidente afirma que país vai continuar sendo o rei da inovação nos biocombustíveis e muito grande na questão do combustível renovável

Lula da Silva (PT) repetiu o discurso adotado na descoberta de petróleo no pré-sal, em 2006, e afirmou, nesta segunda-feira, que a revelação de declarações na Bacia da Foz do Amazonas é um “passaporte para o futuro”. Ao longo de sua fala, o petista lembrou a polêmica em torno da exploração do petróleo na região, alvo de críticas de ambientalistas, e disse que o país segue com o compromisso de preservação do meio ambiente.
— Pode chamar isso (frasco de petróleo ) de passaporte para o futuro desse país. E quando falo passaporte para o futuro, não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil. Porque o país vai continuar sendo o rei da inovação nos biocombustíveis e continuará sendo muito grande na questão do combustível renovável — disse Lula .
Na descoberta do pré-sal e nas discussões em torno do marco regulatório para a sua exploração, Lula repetiu diversas vezes que as reservas seriam um “passaporte para o futuro” e um “bilhete premiado”. À época, o presidente não estava no seu segundo mandato. Atualmente, saem do pré-sal mais de 80% da produção de petróleo e gás do Brasil, que se firmou entre os exportadores mundiais de petróleo , consolidou sua autossuficiência energética e fortaleceu sua capacidade de resistir a crises internacionais relacionadas à commodity, como a atual desencadeada no Oriente Médio.
Porém, a expectativa é que a produção do pré-sal entre gradualmente em declínio nos anos 2030, aumentando a necessidade de novas descobertas para manter os níveis de produção atuais e evitar que o país volte a depender do petróleo no futuro. Por isso, o avanço das pesquisas na Margem Equatorial são comemoradas pelo governo.
Nesta segunda-feira, o presidente afirmou que “todos sabem da polêmica” da exploração de petróleo , lembrou que foi solicitado por “muita gente” a não anunciar a licença que a Petrobras obteve durante a realização da COP30, em Belém, no ano passado. Lula disse que tomou a decisão de anunciar a licença antes da COP “porque o que estava no jogo eram os interesses do país e da nossa empresa”.
— E o direito do Amapá não vira só exportador de açaí ou tucunaré assado – afirmou, comparando a situação com a descoberta do pré-sal pela Petrobras em 2006: –
Em outro momento, falou que a polêmica era tanta que surgiu “que a gente precisava derrubar uma árvore para poder tirar petróleo ”.
— Todo mundo aqui sabe a polêmica da margem equatorial. Pensei que a gente deveria derrubar uma árvore para poder tirar petróleo . E aí estou sabendo que a distância é mais de 500 km da Foz do Amazonas. E venho para cá, e ando 175 km de helicóptero, mar adentro, e fui lá ver a gente tirando o petróleo —afirmou.
O presidente, porém, afirmou que o país vai continuar investindo em biocombustíveis e nos combustíveis renováveis. Disse ainda que, em qualquer incidente que haja, a máquina usada na escavação fecha o poço, evitando qualquer dano ao meio ambiente.
Em outro momento, Lula disse que “graças a Deus” o petróleo foi encontrado, mas afirmou que não sabe “o quanto vai chegar no final”.
— Mas o teste é promissor. Sujei a mão no Pré-Sal e sujei a mão nesse (…) temos a chance de ter um petróleo muito chique e de grande qualidade para abençoar o futuro do filho de vocês e desse país.
Para o presidente, uma empresa de petróleo não sobreviveu sem pesquisa.
– Não é possível que as pessoas imaginem que uma empresa de petróleo consiga sobreviver se ela não pesquisar. Tem coisa no mundo que você só sabe se você pesquisar. E pesquisar significa que você faz investimento. Investimento que você não tem certeza se vai dar resultado – afirmou.
A fala foi feita ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que mais cedo agradeceu a Lula pela descoberta. Os dois visitaram um navio-sonda da Petrobras que trabalha na exploração de petróleo na Margem Equatorial, que inclui o litoral do estado. Na última sexta-feira, a estatal anunciou que encontrou sinais de petróleo e gás em um poço perfurado na região.
O presidente ainda voltou a criticar a venda de fábricas de fertilizantes e refinarias pela Petrobras, e disse que “sonha” em comprá-las.
– Queria que alguém explicasse o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR (Distribuidora), com a refinaria da Bahia, do Amazonas. Porque o cara que vendeu deveria ganhar o Prêmio Nobel de burrice. Esses caras se acham bons gestores.
– É preciso que a gente de uma vez por todas reconheça no Brasil aqueles que enfrentaram causas, que muitas das vezes foram contestadas ou até mesmo criticadas não só por parte de brasileiros que não compreendem a importância que é termos soberania energética no nosso país. Mas, sobretudo, aqueles de outros países que infelizmente insistem em querer tutelar o futuro do Brasil e dos brasileiros – disse ele.
Alcolumbre foi um dos principais defensores junto a Petrobras dos estudos de exploração de petróleo na região.
— Sob a sua liderança como presidente da República e a trincheira de defesa do Congresso Nacional dizemos de uma vez por todas: deixem que nós brasileiros, que lutamos pela defesa do nosso Brasil, que nós decidamos o que nós queremos do Brasil. Hoje é mais uma demonstração dessa descoberta que todos nós sabemos onde queremos chegar.
Trata-se da primeira aparição pública de Lula e Alcolumbre após meses de afastamento após a derrota imposta pelo Senado ao indicado pelo presidente ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, no final de abril. Lula e Alcolumbre tiveram três encontros nos últimos dias, que marcaram início de um processo de reaproximação. O primeiro ocorreu na casa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, e os últimos, na semana passada, no Palácio da Alvorada.
— Dizer ao senhor, presidente Lula, na condição de amapaense e presidente do Congresso: muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio enfrentando tudo e todos para defender que esse projeto chegasse ao dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras, que tem que ser um orgulho de todos os brasileiros.
Após o segundo encontro na semana passada, Alcolumbre destravou o andamento de propostas consideradas prioritárias para o governo, a exemplo da PEC que acaba com a jornada de trabalho 6×1, considerada vitrine eleitoral para o petista.
Nesta segunda-feira, Lula agradeceu ao presidente do Senado, dizendo que Alcolumbre teve uma “atitude muito importante para o Brasil” ao mandar os projetos de lei para análise: a PEC da 6×1, a PEC da Segurança Pública e o projeto das terras- raras — os três estavam parados no Senado.
Sobre o terceiro projeto, Lula disse que ele é importante porque, “desta vez, não vamos deixar que ninguém de fora venha querer explorar os nossos minérios porque nós vamos querer fazer a transformação deles aqui”.
O petróleo foi encontrado no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A perfuração, no entanto, ainda está em andamento. Agora, a empresa precisa avaliar quanto de petróleo existe no local e se a exploração poderá ser feita em escala comercial.
A descoberta é considerada importante porque a Margem Equatorial é uma das principais apostas da Petrobras para encontrar novas reservas. A área se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e ganhou atenção depois de descobertas de petróleo na Guiana e no Suriname, países vizinhos.
A exploração na região, porém, é alvo de discussão há anos por conta dos possíveis impactos ambientais. A Petrobras esperou mais de uma década pela autorização para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas. O Ibama concedeu a licença em outubro do ano passado, depois de exigir uma série de medidas de proteção ambiental e de resposta a eventuais acidentes.
A Petrobras vê a abertura de novas áreas de exploração como necessária para compensar, no futuro, uma possível queda da produção do pré-sal. Hoje, essa região concentra a maior parte das reservas de petróleo do país.
BS20260817202835.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/17/lula-amapa-petroleo.ghtml

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Presidente ressaltou região descoberta pela Petrobras na costa do Amapá está a mais de 500 quilômetros da Foz do Amazonas e 175 km do litoral

Senador foi um dos principais defensores junto a Petrobras dos estudos de exploração de petróleo na região