POLÍTICA

Michelle deixa de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro após crise pública com Flávio

30 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Ex-primeira-dama havia acusado os enteados de promoverem ataques “coordenados” contra ela após divergências sobre decisões do PL

Michelle Bolsonaro em evento — Foto: Reprodução/Instagram

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou de seguir nas redes sociais o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), ampliando os sinais de desgaste com os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poucos dias após tornar públicas divergências com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O gesto de Michelle de deixar de seguir Eduardo e Carlos ocorre poucos dias após a ex-primeira-dama acusar os dois de atuarem de forma coordenada durante a crise aberta com Flávio. No vídeo publicado na semana passada, ela afirmou que as críticas começaram depois de o senador sair publicamente em defesa do deputado André Fernandes (PL-CE), em meio ao impasse sobre a candidatura ao Senado no Ceará.

— Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem (Ciro Gomes) que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes — afirmou.

Na sequência, Michelle disse que os ataques se estenderam aos outros filhos do ex-presidente e sugeriu que a ofensiva teria sido articulada previamente.

— E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado.

A ex-primeira-dama também afirmou ter esperado um contato reservado de Flávio antes de o senador levar o embate para as redes sociais.

— Peguei o telefone, procurei mensagens do Flávio, procurei uma ligação perdida, procurei qualquer sinal de que ele tinha tentado falar comigo antes de falar para o Brasil.

A crise teve início após Michelle defender que a vereadora Priscila Costa (PL-CE), vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas, fosse contemplada com uma das vagas ao Senado pelo Ceará. A articulação pela direção estadual do partido, no entanto, caminhou em outra direção, abrindo espaço para uma composição envolvendo o grupo político de André Fernandes e setores ligados ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).

No vídeo, Michelle também afirmou que chegou a interpretar o silêncio de Flávio diante dos ataques como um sinal de que ele concordava com as críticas dirigidas a ela.

— Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço.

Nos dias seguintes, Flávio afirmou que tentou falar com Michelle antes da publicação do vídeo e disse que a convidou para participar de um encontro com lideranças femininas conservadoras. Até o momento, porém, não houve confirmação de que a ex-primeira-dama tenha recebido um convite formal nem de que pretenda participar da reunião.

Nos bastidores, interlocutores de Michelle afirmam que Jair Bolsonaro foi avisado previamente sobre a divulgação do vídeo e decidiu não impedir sua publicação, apostando que a esposa e o filho conseguiriam resolver o impasse sem ampliar ainda mais a crise familiar. Segundo aliados da ex-primeira-dama, o ex-presidente considera importante preservar a unidade do grupo, mas optou por dar espaço para que ambos tentassem se reconciliar.

Embora a crise tenha ganhado dimensão pública apenas na última semana, interlocutores da família afirmam que a relação entre Michelle e os enteados nunca foi considerada especialmente próxima. Nos bastidores do bolsonarismo, aliados reconhecem que divergências políticas e disputas por espaço dentro do partido vinham se acumulando há meses e se intensificaram à medida que a ex-primeira-dama passou a reivindicar maior protagonismo nas decisões eleitorais do PL.

A relação com Carlos Bolsonaro é apontada por aliados como uma das mais delicadas. Além das críticas veladas feitas por Michelle no vídeo, os dois também estão em lados opostos de uma disputa interna por uma vaga ao Senado em Santa Catarina. Enquanto a ex-primeira-dama defende a candidatura da deputada Caroline de Toni (PL-SC), uma das principais lideranças do PL Mulher e aliada de primeira hora de Michelle, Carlos passou a ser cogitado para disputar o mesmo posto. A movimentação foi interpretada por interlocutores da ex-primeira-dama como uma interferência em um acordo político que já vinha sendo costurado para fortalecer o grupo liderado por Michelle.


BS20260629212252.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/29/michelle-deixa-de-seguir-eduardo-e-carlos-bolsonaro-apos-crise-publica-com-flavio.ghtml

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