POLÍTICA

Dino aponta ‘interferência indevida’ de senador Weverton Rocha em caso relacionado a assassinato no MA

14 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

PF cita trocas de mensagens, telefonemas e reuniões com ministro do STJ; procurado, parlamentar não comentou

O senador Weverton Rocha, no plenário do Senado — Foto: Carlos Moura/Agência Senado/16-12-2025

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou “interferência indevida” do senador Weverton Rocha (PDT-MA) em um processo relacionado ao assassinato de um empresário em São Luís, capital do Maranhão. A decisão cita trocas de mensagens, telefonemas e reuniões do parlamentar com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, de acordo com a Polícia Federal, tinham como objetivo atrapalhar o andamento das apurações. Procurados, Rocha e Martins não se manifestaram.

O caso remonta a agosto de 2022, quando houve o assassinato de um empresário em São Luís, capital maranhense. A morte, em uma via pública, foi filmada por câmeras de segurança, e o executor, Gilbson Cutrim, foi condenado a 13 anos de prisão pelo homicídio. Três anos depois, no entanto, Gilbson e seus familiares passaram a dizer que estavam sendo coagidos para não implicar um sobrinho do governador Carlos Brandão e entregaram o celular dele que, na versão da defesa, apontaria a participação de mais pessoas no crime. O pano de fundo, de acordo com os advogados do réu, era um esquema de propina envolvendo contratos na gestão estadual.

O processo relacionado ao assassinato foi, então, reaberto, e remetido ao STJ, sob relatoria de Martins. A defesa de Gilbson, porém, entrou com um habeas corpus no STF, no qual aponta a suposta interferência de Weverton no caso. Como o senador tem foro privilegiado, a investigação foi remetida à Corte Suprema, e Dino, sorteado relator.

Ao analisar mensagens no celular de Weverton, que teve o sigilo quebrado na investigação que trata de fraudes no INSS, a PF encontrou os diálogos com Martins que levantaram as suspeitas sobre interferência indevida. Na decisão que cita as conversas, Dino não aponta conduta indevida do ministro do STF durante o processo.

“O conteúdo acessível evidencia diálogos que versam sobre encontros pessoais e processos sob relatoria do referido ministro”, pontua a PF. A polícia destaca que os dois conversaram na data em que o ministro determinou a transferência de Gilbson da penitenciária do MA para Brasília, o que era um pedido da defesa. A decisão foi tornada pública nesta sexta-feira.

A defesa do réu do assassinato afirma que houve coação por parte de pessoas ligadas ao grupo político de Brandão, entre elas Raimundo Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do governo maranhense, para evitar que ele mencione uma suposta participação de um sobrinho do chefe do Executivo no Maranhão no crime. O ex-secretário, então, passou a ser alvo do inquérito sob suspeita de coação de envolvidos no crime e de obstrução da Justiça.


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