Moraes diz que Mendonça tirou sigilo de ações do caso Master que ‘entendeu conveniente’ e ‘excluiu’ documentos
11 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Declaração representa mais um capítulo no embate que entre Moraes e Mendonça na Corte
O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão do STF — Foto: Antonio Augusto/STF/04-06-2025
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou nesta sexta-feira que o ministro do STF André Mendonça retirou o sigilo judicial das ações que “entendeu conveniente” e “excluiu” 180 documentos, que, segundo ele, deveriam ter sido publicizados. A declaração de Moraes representa mais um capítulo no embate que ele trava com Mendonça, relator dos casos Master e do INSS.
Moraes apontou que houve uma “escolha seletiva” por parte do colega e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que libere todos os autos e que o plenário analise de forma conjunta na sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira, dia 15, as suspeitas levantadas contra ele e os questionamentos sobre a atuação de Mendonça nos inquéritos. Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade e de direcionar politicamente as investigações.
“Além disso, ao cumprir parcialmente a decisão de Vossa Excelência, o Ministro André Mendonça, diretamente interessado no julgamento de ambas as PETs 16.704 e 16.662, selecionou subjetivamente o levantamento do sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente”, escreveu Moraes, insinuando que o colega só publicizou os arquivos que lhe interessavam.
“A seletividade, entretanto, foi ainda maior, pois nesses 15 (quinze) procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556 o sigilo levantado foi parcial, excluindo 180 (cento e oitenta) documentos e, consequentemente, dificultando a análise probatória”, completou Moraes.
Atendendo a um pedido do presidente da Corte, André Mendonça liberou o sigilo de 14 ações no Supremo relacionadas ao Banco Master, mas manteve o segredo dos inquéritos sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e e o sobre a relação do PT da Bahia com o Master.
Sessão de terça
O pedido reforça a pressão sobre o formato da sessão de terça-feira. Como O GLOBO mostrou, uma ala do Supremo já vinha defendendo nos bastidores que os dois capítulos da crise fossem analisados conjuntamente e alertou Fachin para a possibilidade de um pedido de vista caso o julgamento se limite ao relatório que contém mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.
A sessão de terça-feira foi inicialmente convocada por Fachin para analisar a Petição 16.662, que trata do relatório da PF sobre as mensagens. Já os questionamentos sobre a atuação de Mendonça estão reunidos na Petição 16.704 e ainda não foram incluídos no calendário do plenário.