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Welber Barral acredita que discussões para um acordo com Estados Unidos podem ficar para o ano que vem. Já ex-ministro da Fazenda destaca que tarifas de Trump tem motivação político-ideológica contra o presidente Lula

As negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas adicionais impostas a cerca de 3 mil produtos brasileiros não serão prioridade e talvez tenham que esperar até ano que vem para maiores avanços. É o que pensa Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e consultor da BMJ. Na sua visão, o governo brasileiro deve seguir com foco nas eleições, enquanto os EUA deve dar preferência a discussões com outros países.
— O Brasil não é prioridade para os Estados Unidos. Eles estão com várias negociações pendentes com a Europa, com a China, sem falar dos problemas geopolíticos. Por outro lado, a agenda brasileira vai ser muito voltada para as eleições nesse segundo semestre. Então não vai ter muita mobilização do Congresso. E alguns temas, como no caso de terras raras, o executivo brasileiro tem que negociar com o Congresso — apontou.
Segundo ele, o Brasil deve aplicar a Lei da Reciprocidade como forma de retaliação, mas não será um processo rápido, já que é necessário abrir consulta pública e submeter o caso à análise da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que avalia os impactos e define a eventual reação brasileira.
— As negociações vão continuar, mas vão ser longas. Não vai ser nada, talvez, para esse ano — projetou. — O Brasil vai ameaçar, os Estados Unidos vão ameaçar. Isso faz parte do próprio processo de negociação. E vão continuar durante algum tempo. Pode ter um aumento na lista de exceções, pode ter uma redução da tarifa. Lembrando que não é só o Brasil, os Estados Unidos estão adotando essas medidas contra vários países.
Para o diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e embaixador do país em Genebra, Washington e Roma, tanto nas declarações do presidente Donald Trump como, explicitamente, nas de Marco Rubio, secretário de Estado, ficou claro que as tarifas foram aplicadas por motivos político-ideológicos contra o presidente Lula. Para ele, o Brasil vai tentar naturalmente compensar as perdas comerciais em outros mercados.
— Hoje em dia, felizmente, nossos principais mercados estão na Ásia (cerca de 50%), incluindo China, mas também Japão, Coreia do Sul, Malasia, Indonésia, Índia, que constituem a região mais dinâmica em termos de crescimento econômico e demográfico — diz.
Ele afirma que levando em conta os mercados dos 27 países europeus, a Argentina e o Mercosul, o México e restante da América Latina, além do Canadá e dos países africanos, existem boas perspectivas de diversificação.
— Quanto ao mercado dos Estados Unidos, penso realisticamente que será preciso esperar a era pós-Trump, não muito distante, para ter alguma esperança de um mínimo de normalização e de volta a negociações e relações comerciais mais estáveis — avalia.
BS20260716192156.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/16/negociar-tarifas-nao-sera-prioridade-do-governo-brasileiro-antes-das-eleicoes-diz-ex-secretario-do-comercio-exterior.ghtml

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