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Rede de clínicas oncológicas vive crise financeira há meses. Cenário já fez tratamentos de pacientes de planos de saúde ser

A Oncoclínicas fechou acordo para entrar em processo de recuperação extrajudicial. Imersa numa crise financeira há meses, a rede de tratamento de câncer tenta reestruturar um passivo que chega a R$ 5,1 bilhões. A abertura do processo de reestruturação era prevista para acontecer na semana passada, mas entraves burocráticos acabaram adiando a iniciativa.
Em fato relevante enviado ao mercado na manhã desta terça-feira, a companhia destaca que 37% dos credores abrangidos aderiram ao plano.
“Nos termos da legislação aplicável, a Oncoclínicas dispõe do prazo de 90 dias para obter o percentual mínimo necessário à homologação do seu plano de recuperação extrajudicial, assegurando, assim, a vinculação de 100% dos Créditos Abrangidos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no Plano”, diz o documento.
A recuperação não abrange obrigações operacionais da rede de clínicas, como pagamentos relacionados a fornecedores.
“As operações da Oncoclínicas seguem sendo conduzidas normalmente no atendimento a clientes, fornecedores e colaboradores, de modo que a recuperação extrajudicial não impactará quais outras obrigações da compoanhia”, destaca o texto.
A reestruturação, segundo a companhia, poderá envolver medidas como a injeção de recursos pelos acionistas, a conversão de parte das dívidas em ações da empresa, a renegociação de alguns dos débitos por novos empréstimos e a ampliação do prazo para pagamento aos credores.
O grupo também informou que, como parte da reestruturação, rescindiu o contrato de locação com o fundo imobiliário Tellus Healthcare para a abertura de uma clínica em São Paulo. A multa pela rescisão é de cerca de R$ 76 milhões. Outro contrato cancelado foi o que previa a construção de um hospital em Goiânia, cuja multa ainda está sendo apurada.
Em meados de junho, terminou o período de 60 dias de proteção contra credores que a companhia conseguiu na Justiça em abril.
A busca por uma blindagem contra a cobrança de dívidas aconteceu dias após a empresa divulgar seu balanço financeiro de 2025, quando registrou prejuízo de R$ 3,67 bilhões.
Os números também mostraram que a Oncoclínicas não encerrou o ano com a dívida dentro das condições previstas em contrato com os credores, de alavancagem 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização). Esse indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado, maior o risco financeiro. Na Oncoclínicas, a alavancagem ficou em 4,3 vezes.
Na ponta mais sensível, a crise afetou os pacientes com câncer de planos de saúde aos quais a rede é conveniada, que viram atendimentos e sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia serem suspensos por falta de medicamentos. A empresa chegou a realizar um mutirão para regularizar os serviços.
No auge da crise, a criação de uma empresa conjunta com a Porto Seguro e o grupo de medicina diagnóstica Fleury foi apontada como uma possível solução para a Oncoclínicas. A negociação, porém, foi retirada da mesa no dia em que a empresa levou à Justiça o pedido de proteção contra credores.
Paralelamente, acionistas minoritários pressionam por uma oferta pública de aquisição (OPA) de cerca de R$ 6 bilhões. O pedido é para obrigar a gestora americana Centaurus a pagar aos acionistas um valor superior a R$ 16 por ação, que hoje vale R$ 0,77 na Bolsa.
A origem do caso foi a reorganização da fatia do Goldman Sachs na Oncoclínicas, concluída em novembro de 2024. O fundo da Centaurus passou a deter mais de 15% da companhia, um dos gatilhos para a realização da OPA, segundo o estatuto da empresa.
Como mostrou a coluna Capital, os técnicos da Comissão de Valores Mobiliários são contra a OPA, mas a decisão caberá ao colegiado do órgão.
BS20260714125846.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/07/oncoclinicas-entra-com-pedido-de-recuperacao-extrajudicial-para-renegociar-dividas-de-r-51-bilhoes.ghtml

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