
Brasil assina memorando que abre caminho para a política de céu aberto na América do Sul; entenda medida
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Jornal britânico explica como o sistema virou um queridinho dos brasileiros e um incômodo para grandes empresas americanas

Às vésperas de os Estados Unidos tomarem uma decisão definitiva sobre um novo tarifaço a ser aplicado sobre produtos brasileiros, até o britânico Financial Times (FT), um dos mais importantes jornais do mundo, publicou uma matéria mostrando por que o Pix é tão popular no Brasil e acabou virando uma pedra no sapato do presidente americano, Donald Trump.
O Pix é um dos motivos citados nos argumentos do Departamento do Comércio dos EUA para alegar que o Brasil adotaria práticas desleais de comércio. A longa reportagem no FT, que mereceu chamada com destaque em seu site, explica que o Pix é um sistema de pagamentos instantâneos administrado pelo governo federal, algo que não é comum no exterior.
E detalha como o sistema tornou-se praticamente onipresente em todo o país, sendo amplamente utilizado tanto em regiões remotas da Amazônia quanto em grandes centros urbanos e comunidades periféricas.
O FT lembra que o sistema é gratuito para os consumidores e de baixo custo para as empresas, sendo apontado como um dos principais responsáveis por ampliar a inclusão financeira dos brasileiros desde seu lançamento, no fim de 2020.
Integrado aos aplicativos de bancos e fintechs, o Pix permite transferências de dinheiro diretamente entre contas, sem a necessidade de cartões de débito ou crédito, detalha o jornal britânico ao público não familiarirzado com o modelo.
“O Pix é ótimo porque você não precisa andar com dinheiro em espécie; dá para fazer tudo só com o celular”, resumiu um taxista, Cícero Alves, de 79 anos, entrevistado pelo jornal.
Uma investigação aberta no mês passado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre supostas práticas comerciais desleais alegou que o Banco Central favorece o Pix em detrimento de empresas de serviços de pagamento americanas, como operadoras de cartão de crédito, por meio da limitação das tarifas. O jornal britânico destaca que todas as instituições financeiras com mais de 500 mil clientes são obrigadas a oferecer a ferramenta aos seus usuários.
O relatório do USTR classificou as políticas relacionadas ao Pix como “injustas e discriminatórias” e apontou que há um conflito de interesse na atuação simultânea do BC como regulador do setor e operador do sistema.
Embora nenhuma medida tenha sido proposta diretamente contra o Pix, acrescenta a reportagem, as críticas a um dos ativos mais valorizados pelos brasileiros provocaram uma controvérsia política no país, que deve ganhar destaque nas próximas eleições.
O Financial Times ressaltou que o relatório do USTR ecoou parte das preocupações apresentadas em um documento da Information Technology Industry Council (ITI), grupo de lobby sediado em Washington cujos membros incluem grandes empresas americanas de tecnologia e de meios de pagamento.
Em entrevista ao jornal, o analista do setor financeiro do banco Mizuho, Dan Dolev, afirmou que é preciso reconhecer que o Pix é um substituto dos cartões de débito.
“No longo prazo, ele representa, sem dúvida, um problema para as redes de cartões”, afirmou Dolev.
Procuradas pelo FT, a Mastercard recusou pedidos de entrevista, enquanto a Visa não respondeu.
De acordo com o Financial Times, o governo brasileiro rejeitou as acusações do USTR, argumentando que o Pix é uma infraestrutura pública, aberta e não discriminatória, criada para aumentar a eficiência dos pagamentos e reduzir os custos das transações.
Além disso, ressalta o governo, o sistema permite que empresas desenvolvam serviços sobre sua infraestrutura e já beneficiou empresas estrangeiras. O governo destacou ainda que o Google Pay é o maior iniciador de pagamentos dentro do Pix e que uma subsidiária da Visa recebeu autorização para operar no sistema, lembra o jornal britânico.
O que torna o Pix tão popular, segundo o FT:
Criado como uma alternativa às transferências interbancárias mais lentas, que normalmente cobravam tarifas dos consumidores, o Pix tornou-se o meio eletrônico de pagamento mais utilizado no Brasil em número de transações;
O Pix é, atualmente, o segundo maior sistema de pagamentos instantâneos do mundo em volume de transações, atrás apenas do sistema indiano Unified Payments Interface (UPI).
No segundo semestre de 2025, aponta a reportagem, o Pix respondeu por mais da metade de todas as transações realizadas no país e por pouco mais de um quarto do valor movimentado.
Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas — cerca de 80% da população brasileira — utilizam o sistema. Somente em maio deste ano, foram movimentados R$ 3,48 trilhões em 7,9 bilhões de transações.
Utilizado principalmente por meio de celulares, o Pix exige conexão à internet e uma conta em banco ou instituição financeira. O pagador pode informar a chave Pix do destinatário e o valor da transferência ou realizar o pagamento por meio de um QR Code gerado pelo estabelecimento comercial.
BS20260714175932.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/14/as-vesperas-de-decisao-de-trump-sobre-tarifaco-pix-ganha-reportagem-no-financial-times.ghtml

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