POLÍTICA

Após agenda nos EUA, Flávio quer conversar com Bolsonaro sobre operação da PF e levar ao pai relato da viagem

9 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Senador retorna ao Brasil nesta quinta-feira depois de audiência no USTR e rodada de reuniões reservadas; encontro com Jair Bolsonaro pode ficar para sexta, antes de agenda de pré-campanha no Ceará

Flávio Bolsonaro participa do evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) – Foto: Gabriel Pinheiro /CNI

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retorna ao Brasil nesta quinta-feira após passar quatro dias em Washington em uma ofensiva política e comercial junto ao governo Donald Trump. Segundo interlocutores, uma das prioridades do senador ao desembarcar será conversar pessoalmente com o ex-presidente Jair Bolsonaro para relatar a viagem aos Estados Unidos e tratar dos desdobramentos da nova operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na residência do pai.

A diligência foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a defesa apresentar informações divergentes sobre o paradeiro das armas registradas em nome de Bolsonaro. Agentes chegaram ao condomínio por volta das 7h em busca de armas, munições, acessórios e documentos de registro, mas deixaram o local cerca de uma hora e meia depois sem apreender qualquer material.

A expectativa inicial era que o encontro ocorresse ainda na quinta-feira. Aliados, porém, avaliam que a agenda pode não permitir uma conversa, já que Flávio chega ao país no final do dia e, na manhã de sexta-feira, embarca cedo para o Ceará, onde participa de um almoço antes de cumprir compromissos de pré-campanha. Caso não consigam se encontrar na quinta, a tendência é que a conversa fique para a manhã de sexta-feira.

Por ser advogado constituído na execução penal do pai, Flávio pode visitá-lo diariamente, entre 8h e 18h, por até 30 minutos.

O senador pretende atualizar Jair Bolsonaro sobre as conversas mantidas nos Estados Unidos e ouvir do ex-presidente como transcorreu a operação realizada pela Polícia Federal. Em transmissão ao vivo nesta quarta-feira, Flávio classificou a diligência como uma “clara tentativa de criar uma cortina de fumaça” para “dividir o noticiário” enquanto cumpria agenda em Washington.

A passagem por Washington foi tratada por aliados como uma das agendas internacionais mais importantes da pré-campanha. Na terça-feira, Flávio participou da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), etapa final da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão sobre a proposta de sobretaxa de 25% para produtos brasileiros, prevista para 15 de julho.

Primeiro expositor da programação do dia, abrindo o oitavo painel da audiência, o senador utilizou os cinco minutos de apresentação para pedir o cancelamento das tarifas, defender o Pix e sustentar que uma nova rodada de sobretaxas fortaleceria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também ampliou o conteúdo político do discurso ao fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal, afirmar que Jair Bolsonaro é vítima de uma “caça às bruxas” conduzida pelo Judiciário e citar episódios como o mensalão, a Operação Lava Jato, as fraudes no INSS e o Banco Master para defender que casos de corrupção têm responsáveis específicos e não deveriam justificar sanções comerciais contra o Brasil.

Encerrada a audiência, Flávio decidiu permanecer mais um dia nos Estados Unidos e cancelou a agenda que teria em Pernambuco para cumprir uma rodada de reuniões reservadas com interlocutores ligados à administração Donald Trump. Segundo aliados, o objetivo foi reforçar os argumentos apresentados ao USTR e manter aberta a interlocução antes da decisão definitiva sobre as tarifas.

Foi justamente durante essa agenda adicional que o senador apresentou uma nova proposta para a relação comercial entre os dois países. Flávio defendeu a inclusão do Brasil em um acordo de livre comércio semelhante ao firmado entre Estados Unidos, México e Canadá.

A ideia foi apelidada por ele de “AFTA”, numa referência ao antigo Nafta.

— Eu vou, nessas conversas que terei agora, informar que pretendo falar que, assim como tem o Nafta, a gente pode cortar a letrinha N e falar AFTA, e o Brasil pode se incluir. Temos uma avenida de oportunidades para atrair investimentos americanos e gerar uma zona de livre comércio com esses três países: Canadá, México e Estados Unidos — afirmou em uma live realizada na quarta-feira.

A proposta foi lançada justamente uma semana depois de o governo Trump decidir abandonar a renovação automática do USMCA, tratado que substituiu o Nafta e regula o comércio entre Estados Unidos, México e Canadá. Embora o acordo continue em vigor, a gestão americana decidiu submetê-lo a revisões anuais, aumentando a incerteza sobre seu futuro.


BS20260709030018.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/09/apos-agenda-nos-eua-flavio-quer-conversar-com-bolsonaro-sobre-operacao-da-pf-e-levar-ao-pai-relato-da-viagem.ghtml

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