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O professor e ativista LGBTQIA+, Marcus Maciel, lançar dois livros no próximo dia 23 na Casa de Chá da Praça dos Três Poderes, em Brasília, às 17h

O lançamento na Praça dos Três Poderes carrega um simbolismo especial para Marcus. Além do pôr do sol visto daquele espaço, há uma relação direta com o tema de seu primeiro livro, “Brasília em Chamas”, que aborda os acontecimentos políticos que antecederam e culminaram nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando a Praça dos Três Poderes foi invadida e seus edifícios e símbolos foram alvo de depredação.
“Eu não diria apenas depredado. Considero que todo o significado democrático que Oscar Niemeyer e Lúcio Costa deram àquele espaço foi achincalhado, jogado nas masmorras e torturado como os presos políticos de 64 por criminosos, como nunca se viu antes!”, destaca o professor e escritor Marcus Maciel.
Em “Brasília em Chamas”, além de abordar a tragédia de 8 de janeiro, Marcus Maciel, professor de História, procura inserir os acontecimentos recentes em uma perspectiva histórica, relacionando-os a fatores que, segundo sua análise, ajudam a compreender a formação de uma direita que ele classifica como “ranheta e violenta” e que, em sua avaliação, insiste em ameaçar a democracia.
“As pessoas deveriam estudar um pouco antes de pedirem a volta da ditadura, dos militares ao poder. Em 64 eu tinha apenas três anos, mas lembro do sofrimento dos meus avós, João Domingos de Moura e Wanda Araújo de Moura, e também da minha bisavó, Amélia Araújo, quando ‘Nuca’, como ela chamava meu tio João Carlos de Moura, foi perseguido, preso, torturado e depois deportado para a Alemanha pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. As pessoas não avaliam o quanto isso trouxe de sofrimento para nossa família”, recorda Marcus Maciel.
O segundo livro, “O Pajubá me Acuendou da Escola”, parte de uma expressão da linguagem utilizada por segmentos da comunidade LGBTQIA+, especialmente pessoas trans e travestis, para discutir experiências de exclusão e violência no ambiente escolar.
No livro, Marcus Maciel discute a violência e a exclusão de pessoas LGBTQIA+ nas escolas do Distrito Federal. O título, “O Pajubá me Acuendou da Escola”, utiliza o verbo “acuendar” no sentido atribuído pelo autor à expressão: afastar, tirar ou expulsar. Assim, o título pode ser compreendido, em uma tradução livre, como: “Minha língua, meu idioma ou meu dialeto me tirou, me afastou ou me expulsou da escola.”
Mas o livro também caminha na contramão do próprio título ao apresentar trajetórias de pessoas trans que conseguiram “estourar a bolha” e conquistar espaços de destaque acadêmico e profissional.
Entre elas estão Jaqueline Gomes de Jesus, do UFRJ; Luma Nogueira de Andrade, da UNILAB; Megg Rayara Gomes de Oliveira, da UFPR; e Viviam Miranda, ligada à NASA. A obra também aborda a trajetória de João W. Nery, apresentado como um dos primeiros homens trans brasileiros a realizar sua redesignação de gênero, em plena ditadura, contando com o apoio do educador Darcy Ribeiro, seu padrinho.
“Este livro é para chamar a atenção das autoridades, dos pais e dos familiares que abandonam seus filhos e parentes, considerando apenas o gênero da pessoa”, destaca Marcus.
A escolha do aniversário de 65 anos para o lançamento dos dois livros, segundo o autor, também tem um significado especial: transformar uma data pessoal em uma oportunidade de chamar atenção para a violência, a exclusão e o sofrimento vividos por pessoas que assumem sua orientação sexual ou identidade de gênero.


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