SAÚDE

Quase metade dos casos de demência poderia ser evitada com cerca de 4 hábitos de vida; entenda

3 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Pesquisa realizada pela Universidade Curtin mostra que as abordagens de saúde pública não estão conseguindo gerar mudanças reais de comportamento

Quase metade dos casos de demência poderia ser evitada com o combate a fatores de risco modificáveis, como inatividade física, tabagismo, baixa escolaridade ou isolamento social. No entanto, uma nova pesquisa da Universidade Curtin sugere que as abordagens atuais de saúde pública não estão conseguindo gerar mudanças reais de comportamento.

Cérebro – Foto: Magnific

A revisão internacional, publicada na revista The Lancet Healthy Longevity, analisou campanhas e programas de saúde pública em oito países e constatou que, embora campanhas de conscientização em larga escala para a prevenção da demência possam alcançar um público amplo, elas frequentemente resultam apenas em pequenas melhorias no conhecimento e mudanças limitadas no comportamento.

O estudo mostra que são necessárias abordagens mais envolventes, personalizadas e orientadas pela comunidade para influenciar genuinamente o comportamento e reduzir o risco de demência.

“Até 45% dos casos de demência estão ligados a fatores modificáveis ​​que podemos alterar, como nosso estilo de vida, estado de saúde e ambiente. Mas simplesmente informar as pessoas sobre esses riscos não é suficiente; campanhas de conscientização são importantes, mas, por si só, raramente levam a mudanças de comportamento significativas ou duradouras”, afirmou o autor do estudo Mario Siervo, da Escola de Saúde Populacional de Curtin.

Força muscular e composição corporal

Um segundo estudo recente conduzido pelo grupo forneceu mais evidências sobre a relevância de fatores de risco modificáveis ​​para demência. Os resultados, publicados na revista Clinical Nutrition, indicaram que a força muscular e a composição corporal desempenham um papel significativo no risco de demência, destacando a necessidade de abordagens de prevenção mais direcionadas.

A pesquisa liderada pela Universidade Curtin acompanhou quase 500.000 adultos por mais de uma década e descobriu que pessoas com baixa força muscular e excesso de gordura corporal — condição conhecida como obesidade sarcopênica — apresentavam maior risco de desenvolver demência.

“Ainda existe uma crença generalizada de que a demência é uma parte inevitável do envelhecimento, o que não é verdade. Mas mesmo quando as pessoas estão cientes dos riscos, barreiras como tempo, custo e motivação podem impedi-las de fazer mudanças em seu estilo de vida”, afirmou Blossom Stephan, catedrática em Demência no Instituto enAble da Curtin e coautora do estudo.

Entre as abordagens interativas estão:

Programas de educação online que orientam as pessoas em etapas práticas para melhorar a saúde cerebral.

Avaliações de risco personalizadas que mostram aos indivíduos como seu estilo de vida afeta seu risco de demência.

Programas comunitários ministrados por figuras locais de confiança, como educadores pares, profissionais de saúde ou líderes comunitários.

Siervo afirmou que esses tipos de abordagens têm maior probabilidade de envolver as pessoas e promover mudanças comportamentais sustentáveis.

“Quando as pessoas entendem seus próprios riscos pessoais e recebem maneiras claras e práticas de agir — especialmente por meio de redes comunitárias confiáveis ​​— elas têm maior probabilidade de fazer mudanças significativas”, disse.

Exemplos de abordagens eficazes incluíram sessões de educação comunitária conduzidas por líderes locais, programas adaptados culturalmente e ministrados em ambientes familiares, e cursos interativos que ajudaram os participantes a definir metas de saúde realistas.



BS20260703170344.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/07/03/quase-metade-dos-casos-de-demencia-poderia-ser-evitada-com-cerca-de-4-habitos-de-vida-entenda.ghtml

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