POLÍTICA

Renan Santos diz que atraso para registrar perfis em redes sociais foi ‘problema técnico’ e chama decisão de Toffoli de ‘ilegal’

1 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Em pronunciamento, candidato reagiu a decisão que vetou acesso ao fundo eleitoral e participação de debates por utilização de perfis informados ao TSE com atraso na campanha

Renan Santos em sabatina na TV Globo – Reprodução

Renan Santos, candidato do Missão à presidência da república, chamou de “ilegal” a decisão do ministro Dias Toffoli que suspendeu a participação dele em debates e vetou a utilização de recursos do fundo eleitoral, nesta segunda-feira (31).

Segundo o ministro, a campanha de Renan utilizou perfis irregulares nas redes sociais durante a campanha eleitoral. Toffoli escreveu que o Missão só reportou a existência de 16 canais nas redes sociais doze dias após o registro da candidatura. Isso violaria a legislação eleitoral e resoluções do tribunal, que determinam a obrigação de informar todos os perfis no momento do registro, de acordo com Toffoli.

O candidato divulgou um vídeo falando sobre a determinação e chamou a demora para reportar os perfis nas redes sociais de um “problema técnico”.

— Falar que minhas redes foram suspensas porque eu estou abusando do poder econômico por conta de um problema técnico que centenas de outros candidatos, quiçá milhares também tiveram durante o registro das candidaturas, chega a ser absurdo. Nenhuma candidatura deve ser suspensa assim — disse o candidato.

Ele também chamou a decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral de “persecutória”.

— A decisão é ilegal, a decisão é persecutória. Curiosamente eu convoquei também quatro manifestações nesse último ano contra o senhor Dias Toffoli, contra o envolvimento não apenas dele, mas de todas essas pessoas no escândalo do Banco Master — afirmou Renan.

— Eu não posso produzir conteúdo em redes, eu não posso postar conteúdo, eu não posso participar dos debates, eu não posso ir em sabatinas. Eu não posso fazer praticamente nada. Eu não uso fundo eleitoral, mas se eu estivesse usando, o dinheiro também teria sido suspenso. Não há nada a se fazer. Como minhas redes serão apagadas, essa aqui será talvez a última lembrança que vocês têm de todo o trabalho que nós fizemos ao longo do último ano desenvolvendo ideias para defender o Brasil — disse ainda o candidato do Missão, que pediu que os seguidores baixem o vídeo, que será postado nas redes sociais, e o divulguem.

A equipe jurídica da candidatura afirmou que entrará ainda nesta segunda com um mandado de segurança para tentar reverter a decisão do ministro. Durante coletiva de imprensa, Arthur Rollo, o advogado da campanha, disse que a medida viola artigos da lei eleitoral.

— Nós temos três pareceres da Procuradoria Geral Eleitoral pelo deferimento do registro da candidatura. Então, o Ministério Público Eleitoral lá no TSE disse o seguinte: estão preenchidos todos os requisitos, não existem ineligibilidades. E aí vem uma decisão, ou três decisões de ofício […] nós não temos dúvida de que essa decisão é ilegal — disse Rollo. — Esse mandado de segurança será impetrado hoje ainda. E por que mandado de segurança? Porque essa decisão, essas três decisões, são o que a gente chama de decisões teratológicas e manifestamente ilegais.

Renan Santos, durante a entrevista coletiva, voltou a afirmar que a equipe enfrentou problemas técnicos com o sistema do TSE ao registrar a candidatura e que as dificuldades foram comunicadas ao tribunal em 7 de agosto.

— Centenas de candidatos passaram por esse mesmo problema. E um sistema novo que foi implementado não deveria servir de subterfúgio para que um juiz saia caçando candidaturas, como ele está fazendo — disse o candidato.

— Antes do dia 7 de agosto, inclusive, no dia 20 (de julho), a gente já estava avisando o TSE do problema que o próprio sistema deles estava apresentando para cadastro de candidatos ao Senado — disse ainda Renan Santos.

Arthur Rollo afirmou que a defesa deve questionar os “doze dias” citados pelo ministro. Segundo o advogado, o registro da candidatura foi feito em 7 de agosto, mas a campanha só se iniciou oficialmente em 16 de agosto, e a retificação foi enviada em 19 de agosto.

Durante a coletiva de imprensa, o candidato relembrou ainda manifestações que participou ao lado de membros do MBL após as revelações das relações de Toffoli com empresa que administrava resort no Paraná e os negócios do ministro com cunhado de Daniel Vorcaro.

De forma irônica, o candidato disse que duvida “que esses elementos tenham alguma relação com o despacho profundamente democrático, profundamente técnico, refinado do ponto de vista jurídico do ministro Dias Toffoli”.

— Um homem que chegou ao STF por conta, claramente, das suas incríveis capacidades jurídicas, da sua inteligência acima do comum, da sua disciplina e do seu foco, de maneira imparcial, na busca pela justiça. Nunca que um homem com esses predicados como o ministro Dias Toffoli, iria se afetar por conta de manifestações pacíficas e democráticas — afirmou Renan.

A decisão de Toffoli

O ministro do TSE determinou as seguintes medidas:

  • Suspensão da realização de propaganda eleitoral da chapa majoritária do MISSÃO por meio de quaisquer endereço eletrônico de sítio, blog, rede social, sítio de mensagens instantâneas e aplicações de internet assemelhadas não informados tempestivamente à Justiça Eleitoral;
  • Suspensão de repasses de recursos do FEFC à chapa majoritária e da realização de gastos com eventuais recursos já repassados;
  • Suspensão do direito de participar de debates em rádio, televisão, podcasts ou quaisquer outros meios de comunicação”.

A suspensão da propaganda de Renan determinada por Toffoli atinge perfis de redes sociais e outros endereços eletrônicos que não tenham sido informados no tempo correto à Justiça Eleitoral. Além disso, bloqueia o montante de R$ 3,3 milhões do fundo eleitoral que estava disponível à sigla.

Toffoli ainda afirmou que a comunicação tardia não pode ser tratada como simples irregularidade documental. Isso porque, enquanto um perfil não é informado à Justiça Eleitoral, ele permanece sujeito aos mecanismos de recomendação das plataformas, benefício que as regras eleitorais procuram impedir para os canais oficiais de campanha. O ministro também apontou que a omissão dificulta a fiscalização sobre conteúdos, impulsionamentos e gastos eleitorais.

BS20260831192152.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/08/31/renan-santos-diz-que-atraso-para-registrar-perfis-em-redes-sociais-foi-problema-tecnico-e-chama-decisao-de-toffoli-de-ilegal.ghtml

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