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Sarampo: São Paulo registra 7 novos casos na última semana; veja quem deve se vacinar

7 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Capital paulista, São Bernardo do Campo e Guarulhos conduzem estratégia de revacinação de toda a população e aplicação de ‘dose zero’ para recém-nascidos

O sarampo é uma das doenças com mais capacidade de se alastrar – Foto: divulgação

A capital paulista confirmou mais sete casos de sarampo na última semana, informou a Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP) nesta sexta-feira. Ao todo, já são 23 diagnósticos neste ano no estado, em três cidades. No Brasil, houve ainda um outro caso no Rio de Janeiro, em março, mas que foi encerrado.

“Dos 23 casos confirmados no estado (de São Paulo), dois são importados e os demais estão relacionados à importação, embora ainda não tenha sido identificada a fonte de infecção. Até o momento, 16 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto”, diz a pasta em nota.

Além dos casos na capital paulista, foram registrados dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. O surto levou o Ministério da Saúde a recomendar a revacinação irrestrita de todos os moradores das três cidades de 6 meses a 59 anos de idade com um reforço, ou seja, mesmo para aqueles que já foram imunizados no passado. A estratégia vai até 1º de setembro.

Além disso, foi orientada a aplicação de uma “dose zero” para os bebês entre os 6 a 11 meses de vida. Antes da confirmação dos sete novos casos, a SES-SP já havia dito que 10 dos então 17 eram em bebês de até um ano. A “dose zero” não substitui as duas aplicações futuras que devem ocorrer normalmente seguindo o calendário de rotina.

O Brasil oferece a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, como parte do calendário infantil de rotina. Ela é aplicada em duas doses, a primeira aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece ainda a proteção de forma gratuita para todas pessoas de até 59 anos que não tenham sido vacinadas.

Em São Paulo, de acordo com a SES-SP, dados preliminares de 2026 indicam que a cobertura vacinal no estado é de apenas 77,5% para a primeira dose e 65,5% para a segunda, abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde de 95% para cada uma das doses.

— A rede de contatos de um indivíduo em São Paulo, que pega metrô, frequenta ambientes de extrema aglomeração, é muito grande. Então o risco de um indivíduo infectado encontrar um não vacinado é muito alto. Isso exige uma capacidade elevada de vigilância local e uma cobertura vacinal grande. É uma situação que gera atenção, mas que temos condição de controlar. Há um empenho muito grande para isso — disse Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), ao GLOBO.

A SES-SP afirma ainda que enviou, ontem, 150 mil novas doses da vacina para a capital paulista e 80 mil doses para o município de São Bernardo do Campo para reforçar as estratégias de imunização.

“Nos demais municípios do estado, a orientação é intensificar as ações de vacinação por meio da verificação da situação vacinal da população, da busca ativa e da atualização das doses em atraso, conforme a idade e as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação”, mas sem a aplicação irrestrita, esclarece a pasta.

Para os que vão se deslocar para um dos três municípios com casos ativos, a SES-SP diz que a recomendação é apenas ter a situação vacinal verificada e atualizada, conforme o calendário do PNI. “O simples deslocamento para essas localidades não constitui indicação para a vacinação indiscriminada”, afirma.

Apesar dos casos, o Brasil mantém o certificado de eliminação do sarampo, que chegou a ser perdido em 2019, após a queda importante no percentual de imunizados e a identificação de diversos surtos da doença pelo país, com mais de 20 mil casos registrados naquele ano, mas que foi reconquistado em 2024, depois de dois anos sem transmissão local.

Desde então, os poucos casos que o Brasil costuma registrar são importados de outros países ou relacionados a pacientes que vieram de fora, sem haver uma disseminação sustentada dentro do território brasileiro. Foi o caso do ano passado, quando 38 casos importados ou relacionados à importação foram identificados, mas controlados com bloqueio vacinal, busca ativa e reforço da vigilância. Para perder o certificado, seria preciso ocorrer transmissão endêmica sustentada do vírus por um período de 12 meses consecutivos.

— Por enquanto, não estamos no cenário de risco de perder a certificação. Como interrompemos todos os surtos, as cadeias de transmissão foram encerradas. Houve uma importação, com alguns outros casos, mas que não gerou transmissão sustentada dentro do território. Mas vemos o avanço em outros países, então a pressão externa para entrada de casos é muito grande. Por isso, precisamos de elevadas coberturas vacinais — disse Gatti.



BS20260807124426.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/08/07/sarampo-sao-paulo-registra-7-novos-casos-na-ultima-semana-veja-quem-deve-se-vacinar.ghtml

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