POLÍTICA

Sem citar Nunes Marques, Gilmar Mendes critica condução do TSE na eleição: ‘Silêncio e hesitações’

3 de novembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Decano do STF cobra postura de ‘árbitro equidistante’ de quem preside órgão organizador do pleito

Ministro decano Gilmar Mendes durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir sobre caso Alexandre de Moraes no último dia 15 — Foto: Rosinei Coutinho/STF

Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes criticou a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições deste ano. Em postagem no X, na madrugada desta terça-feira, o ministro destacou que o pleito de 2026 evidenciou a “antiga lição” de que as instituições de Estado “são maiores do que os membros que as ocupam”.

Sem citar nomes, a mensagem de Gilmar foi interpretada como uma indireta para o colega de STF Kassio Nunes Marques, que presidiu o TSE durante as eleições. Críticos — especialmente aqueles alinhados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — apontaram um alegado favorecimento da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na condução da Corte. Nunes Marques foi indicado pelo pai do candidato derrotado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2020.

Na visão de Gilmar, o colegiado do tribunal garantiu a normalidade da disputa eleitoral.

“Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. A institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, ressaltou.

Na postagem, o decano do STF sustentou que, “desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel”, mas ponderou que a solidez do processo eleitoral “não pode depender” apenas da força do coletivo. Ele pontuou que a condução de órgãos como o TSE exige atuação ativa.

“Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável”, escreveu o magistrado.

Nunes Marques foi alvo de críticas no dia do segundo turno em meio ao impasse sobre a prorrogação do horário de votação. O presidente do TSE foi o primeiro a receber o pedido, por volta das 13h30, mas não proferiu decisão alguma. Depois que o ministro Cristiano Zanin, pelo STF, determinou a manutenção das urnas abertas até 19h, a poucos minutos do fim inicialmente previsto para o pleito, o colega concordou.

Após ser derrotado por Lula, Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos. A carta de teor golpista divulgada pelo senador, na qual ele contesta o resultado das urnas e se apresenta como o verdadeiro vencedor da disputa, provocou críticas até mesmo entre magistrados mais próximos a integrantes do bolsonarismo, como Nunes Marques.

O magistrado divulgou uma nota reafirmando a legitimidade do resultado eleitoral e defendendo o respeito à vontade expressa pelos eleitores nas urnas. Sem citar diretamente Flávio, o ministro afirmou que a Justiça Eleitoral cumpriu seu papel na condução do pleito.

Na mesma manifestação, o presidente do TSE reconheceu que houve instabilidade na reta final da votação, mas ressaltou que as medidas adotadas e o trabalho dos técnicos do tribunal permitiram concluir a apuração com segurança. O ministro também destacou que eventuais contestações devem seguir os canais institucionais.

Embora não representassem necessariamente um rompimento político com a família Bolsonaro, as reações do ministro evidenciaram um distanciamento em relação à estratégia adotada por Flávio após a derrota eleitoral.

BS20261103113047.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/11/03/sem-citar-nunes-marques-gilmar-mendes-critica-conducao-do-tse-na-eleicao-silencio-e-hesitacoes.ghtml

Artigos Relacionados