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Cúpula adia escolha de sucessora da ex-primeira-dama e teme perda de força da pré-campanha de Flávio entre mulheres e evangélicos

A saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher obrigou a direção do partido a redesenhar, às pressas, a estrutura do segmento feminino da legenda. Em vez de indicar uma nova presidente nacional, o partido decidiu dividir temporariamente a condução do PL Mulher entre as presidentes estaduais e deixar qualquer definição sobre a sucessão para depois das eleições de outubro. A informação foi confirmada ao GLOBO por três integrantes da cúpula do partido.
A decisão foi tomada poucas horas depois da reunião entre Michelle e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e reflete a avaliação da cúpula de que uma troca de comando neste momento abriria um novo foco de disputa interna justamente quando o partido tenta conter a crise entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Reservadamente, dirigentes reconhecem que o objetivo é impedir que a reorganização do PL Mulher prolongue um conflito que já provocou desgastes na pré-campanha presidencial.
Integrantes da legenda também afirmam que a opção por um comando compartilhado decorre da proximidade das eleições e da dificuldade de reorganizar uma estrutura presente em todos os estados. Outra avaliação presente no entorno de Valdemar é que Michelle personalizou o PL Mulher ao longo dos últimos anos e nenhum nome reúne hoje capital político suficiente para substituí-la.
Aliados de Michelle, porém, veem outro motivo para a decisão. Na avaliação desse grupo, a direção do partido optou por deixar o comando nacional do PL Mulher vago para evitar que a vice-presidente da estrutura, a vereadora Priscila Costa (PL-CE), assumisse automaticamente o posto. Priscila foi o estopim da crise entre Michelle e Flávio. A ex-primeira-dama defendia sua candidatura ao Senado no Ceará, enquanto o senador conduziu negociações que abriram espaço para uma composição com o grupo do deputado André Fernandes (PL-CE).
A preocupação da direção do partido, porém, vai além da disputa interna. Integrantes da executiva avaliam que Michelle se transformou no principal ativo eleitoral do PL junto aos eleitorados feminino e evagélico. Nos bastidores, dirigentes admitem que seu afastamento reduz a capacidade de mobilização da campanha em um momento considerado decisivo para diminuir a rejeição do senador entre as mulheres.
A percepção se agravou depois da reunião de terça-feira entre Michelle e Valdemar. Segundo relatos de aliados ouvidos pelo GLOBO, a ex-primeira-dama afirmou ao dirigente estar “cansada” da política, reclamou de não estar sendo ouvida nas decisões internas do partido e chegou a cogitar colocar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal à disposição. Também disse que boa parte de sua rotina hoje é dedicada aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e que o desgaste provocado pelos conflitos internos a fez repensar sua permanência na vida política.
Durante a conversa, Valdemar tentou convencê-la a permanecer no comando do PL Mulher, adiar qualquer decisão sobre sua candidatura e participar da reunião organizada por Flávio com lideranças femininas nesta quarta-feira. Não conseguiu. Michelle recusou o convite e voltou a afirmar que nunca recebeu um chamado diretamente do senador. “Ele não me ligou para me chamar”, teria dito.
Momentos depois, ela oficializou sua saída em nota. No texto, afirmou que deixava a presidência do PL Mulher para se dedicar “integralmente” aos cuidados de Jair Bolsonaro e da filha.
Outro tema que já começou a circular nos bastidores é o futuro da disputa ao Senado no Distrito Federal. Embora a orientação oficial seja insistir para que Michelle mantenha a candidatura, aliados de Flávio passaram a tratar o senador Izalci Lucas (PL-DF) como o substituto natural caso a ex-primeira-dama decida abandonar a corrida eleitoral. Izalci almejava concorrer ao governo, mas enfrenta resistência diante da aliança do partido com a atual governadora Celina Leão (PP-DF).
BS20260701125258.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/01/sem-michelle-pl-mulher-tera-comando-dividido-entre-estados-ate-as-eleicoes.ghtml

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