
Flávio diz nos EUA que Lula quer tarifaço de Trump para ter ganho político
Senador viajou para participar audiência sobre decisão do governo de Trump nesta terça

Análise mostra que vídeo de Figueiredo difundiu tema entre bolsonaristas; oposição a esse direito virou bandeira nos Estados Unidos

A fala do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), sobre as mulheres votarem “estatisticamente muito mal” não circulou de forma isolada e ativou nas redes sociais grupos radicalizados contrários ao voto feminino, agenda que também é difundida por apoiadores de Donald Trump nos Estados Unidos. A reação, que expôs um racha no campo bolsonarista, é apontada por um levantamento feito a pedido do GLOBO pelo instituto Democracia em Xeque, que monitora campanhas de desinformação e discurso de ódio online.
Um eixo central desse discurso é uma associação pejorativa entre o comportamento eleitoral feminino e a expansão do feminismo, movimento que defende o combate ao machismo e a igualdade de gênero. Um dos destaques, nesse universo, é um vídeo da influenciadora de direita Pietra Bertolazzi, que tem 1 milhão de seguidores no Instagram e mobilizou uma defesa explícita da restrição ao voto feminino ao se declarar, nesta semana, contra o sufrágio das mulheres em publicação no YouTube.
De acordo com o levantamento a partir de dados da plataforma de monitoramento Talkwalker, o termo “voto feminino” somou 23 mil menções nas redes entre 27 de junho e a última sexta-feira — o pico foi registrado após a saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher, anunciada em meio a um embate público com o enteado. Uma análise feita pelo Democracia em Xeque a partir de 263 postagens com 2,3 milhões de interações revela que a repercussão do vídeo de Paulo Figueiredo representou a maior fatia dos conteúdos sobre o assunto (38% do total). Nesse grupo, a base bolsonarista somou quase metade das publicações (45%).
— Os discursos que carregam mais peso de misogonia acabam circulando por perfis mais radicalizados, perfis que já têm um histórico e uma tendência de se posicionar contra mulheres, contra o movimento feminista — explica a diretora de pesquisa do Democracia em Xeque, Letícia Capone.
Embora minoritários, os discursos contrários ao voto feminino se conectam ao de segmentos da direita americana ligados ao chamado nacionalismo cristão. Entre os nomes mais influentes desse movimento estão o pastor Doug Wilson e o influenciador Nick Fuentes, que defendem uma organização social baseada em papéis tradicionais de gênero. Um dos conceitos difundidos nesse meio é o chamado “voto familiar”, segundo o qual apenas o chefe da família — normalmente o marido — deveria representar politicamente todo o núcleo familiar. Nick Fuentes chegou a afirmar, durante um podcast em maio deste ano, que “eliminaria o voto das mulheres, com certeza”.
Ainda segundo a análise do Democracia em Xeque, enquanto conteúdos hostilizando o eleitorado feminino circularam entre influenciadores radicais, aliados de Flávio celebraram a posição do senador, que buscou se desvincular do comentário de Paulo Figueiredo ao afirmar repudiá-lo. O parlamentar tem feito acenos ao eleitorado feminino — a última pesquisa Datafolha mostrou Lula com 52% das intenções de voto nesse segmento no segundo turno, contra 37% de Flávio.
Os desdobramentos no PL da fala de Paulo Figueiredo, incluindo a resposta de Flávio, representaram 22% das menções ao tema. Para Letícia Capone, o posicionamento do senador buscou preservar o apoio do eleitorado mais ideológico sem ampliar o desgaste entre os eleitores moderados.
— A reação da fala é interessante politicamente para Flávio em termos: mantém, para os mais radicalizados, aquela dimensão de que continuamos na mesma perspectiva sobre o papel da mulher. Por outro lado, a partir do momento que Flávio se opõe a essa fala de Paulo Figueiredo também se favorece com a perspectiva da moderação, da articulação, da negociação — avalia.
O levantamento, porém, mostra que houve reação da esquerda nas redes sociais. Para Capone, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiram capturar a agenda e reverter para si um capital em torno da defesa das mulheres.
Esses conteúdos representaram 30% das menções ao voto feminino monitoradas. Além disso, a esquerda concentrou 54% dessas publicações, que difundiram com frequência termos como “direito”, “democracia”, “autonomia”, “luta” e “história”.
* Estagiário sob supervisão de Marlen Couto
BS20260705063029.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/05/sob-influencia-da-direita-dos-eua-fala-de-figueiredo-desencadeia-posicionamento-contra-voto-feminino.ghtml

Senador viajou para participar audiência sobre decisão do governo de Trump nesta terça

Distribuição dos alimentos será realizada por meio de restaurantes comunitários, cozinhas comunitárias, padarias comunitárias e bancos de alimentos

Norma modifica Código de Obras, permitindo maior efetividade na regularização de construções em áreas que não possuíam registro à época da edificação

Senador foi ao país para participar de uma audiência sobre tarifas americanas impostas a produtos brasileiros
