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Petistas e integrantes da campanha criticam a atual condução e têm pedido um freio de arrumação na estratégia para Lula chegar ao quarto mandato

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e as pesquisas de intenção de votos que mostram cenário de empate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ampliaram a preocupação na campanha à reeleição do presidente e levaram o PT a marcar uma reunião da executiva do partido nesta quinta-feira. Petistas e integrantes da campanha criticam a atual condução e têm pedido um freio de arrumação na estratégia para Lula chegar ao quarto mandato.
Convocado pelo presidente do partido, Edinho Silva, o encontro acontece em momento de tensão interna. Há queixas entre integrantes da cúpula da legenda sobre os rumos da campanha e reclamações sobre falta de participação da própria sigla nas definições de estratégias eleitorais. As críticas recaem, principalmente, sobre Edinho, que teria adotado uma postura centralizadora.
Petistas apontam que Edinho “sumiu” de Brasília para cuidar da própria campanha a deputado federal por São Paulo e tem se ocupado mais em conquistar base de apoio para chegar à Câmara do que em comandar a campanha presidencial. O incômodo também ocorre por uma avaliação de que a gestão de Edinho é voltada para atender Lula e menos focada em manter o partido mobilizado.
Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira mostra que Lula e o presidenciável do PL estão empatados com 41% dos votos no segundo turno.
Como reflexo da insatisfação, muitos membros da executiva que disputam eleições nos estados optaram por não viajar a Brasília para atender a convocação do presidente do PT e coordenador da campanha presidencial.
Segundo relatos de dois petistas que integram o comando do partido, há uma avaliação que Edinho “tocou sozinho” a campanha sem buscar ouvir aliados — dentro do PT e fora dele. E que agora, num momento de pressão, ele estaria tentando dividir responsabilidades.
Os críticos internos do presidente do PT dizem que, pela primeira vez, membros de outras correntes partidárias não foram chamados para ajudar na campanha presidencial. Apenas o grupo interno ao qual Edinho faz parte estaria representado.
Edinho mantém interlocução direta com Lula, que foi fundamental para a sua eleição para comandar o PT no ano passado. Lideranças do partido avaliam também que a linha adotada no partido pelo coordenador da campanha seria resultado da postura centralizadora também do presidente da República.
Mesmo os críticos reconhecem que Edinho foi importante nas costuras para evitar que os partidos do Centrão, como o PP, União Brasil e Republicanos, ficassem neutros na disputa presidencial e não embarcassem na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Entendem, porém, que o presidente do PT precisaria agora ouvir mais outros dirigentes para entender o que está se passando nas bases e poder assim afinar o discurso a ser encampado por Lula
A avaliação é que a escalada da crise institucional no Supremo deverá ter impactos na campanha de Lula, e a equipe do presidente busca atuar para evitar que esse clima contamine ainda mais o processo eleitoral. O próprio presidente conversou nos últimos dias com ministros do Supremo para encontrar uma saída para essa crise.
Ao analisar o cenário conturbado na Corte, Lula teme que a crise do STF traga um efeito eleitoral direto para a sua campanha e tem compartilhado com interlocutores que a sociedade perde com o Judiciário sob suspeita. Além disso, a avaliação é que esse cenário toma o debate nacional, deixando de lado temas que o petista queria explorar na campanha, como a PEC do fim da jornada de trabalho 6×1 e outras medidas implementadas em seu mandato.
A reunião desta quinta ocorre na sede do PT em Brasília. Estão presentes nomes como o ministro José Guimarães (PT-CE), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). Ao deixar o local, Guimarães afirmou que a campanha, a partir de agora, precisa seguir uma linha de “radicalismo” e “enfrentamento”. A reunião segue ao longo do dia na sede do PT em Brasília.
— Essa reunião é decisiva para realinhar e apresentar a campanha a partir de agora numa linha de radicalismo que a conjuntura exige. É ir para o enfrentamento. Nas ruas e mudança no programa de TV — disse o ministro.
Também há queixas de integrantes de partidos aliados pela falta de diálogo com a campanha. Cada sigla indicou ao menos um integrante para um grupo que, em tese, integraria a coordenação, mas o grupo poucas vezes foi chamado para participar do debate. Neste ano, Lula tem apoio desses partidos: PSB, PDT, PSOL-Rede, PV e PC do B.
— A linha de fato é dar um gás na campanha. Vamos fazer mobilização no domingo. Gás é isso, radicalizar, ir na política, não na agressão. Vamos mostrar quem é Flavio Bolsonaro e qual o risco que o Brasil corre com a volta desse povo para o poder poder — afirmou a senadora Teresa Leitão.
Está prevista ainda uma reunião com integrantes de centrais sindicais e movimentos sociais, em São Paulo, na tarde desta sexta-feira. Segundo Miguel Torres, presidente da Força Sindical, o encontro já tinha sido marcado há cerca de dez dias, mas ganhou maior importância agora.
— É oportuno (se reunir) para a gente ver o que pode fazer. Precisamos ir às bases. É preciso falar para os trabalhadores da ameaça que é para o país se Lula perder. Temos que bater nisso, na ameaça que é o outro lado, fazendo comparações. Essa é uma eleição de comparação — disse.
Mais cedo nesta quinta, a equipe jurídica da campanha também fez reunião com integrantes da coordenação para discutir o cenário e avaliar os próximos passos. Aliados de Lula reconhecem uma certa morosidade da campanha e falam na necessidade de maior engajamento com a militância. Há, no entanto, problemas com a distribuição de materiais de campanha. Um integrante da coordenação diz que isso se deu pela demora de liberação de recursos do fundo eleitoral.
BS20260910145248.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/10/sob-tensao-interna-pt-convoca-reuniao-para-discutir-impacto-da-crise-no-stf-na-campanha-de-lula-e-cobra-mudancas.ghtml

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