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Alvo foi o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim que, segundo a investigação, mantinha contato com o profissional da imprensa

A ONG Transparência Internacional-Brasil criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a ação da Polícia Federal (PF) contra a fonte do jornalista Luis Pablo. A organização fala em “blindagem” e pavimentação de uma “escalada autoritária” da Corte ao tratar sobre o caso.
Luis Pablo foi responsável por uma reportagem sobre o uso supostamente irregular de veículo oficial por Flávio Dino, também ministro do STF. Em março, o jornalista foi alvo de uma operação e teve seu celular e equipamentos eletrônicos apreendidos.
Desta vez, o alvo foi o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim que, segundo a investigação, mantinha contato com Luis Pablo. A ação foi pedida pela PF e teve a concordância da Procuradoria-Geral da República. Para os investigadores, o jornalista é suspeito de perseguir Dino.
Para a Transparência Internaciona-Brasil, a “jurisdição universal normalizada no STF tornou-se vetor permanente de autoritarismo e abuso de poder”.
“Os poderes excepcionais autoconcedidos do STF há muito deixaram de ter como alvo conspiradores reais em circunstâncias extraordinárias de ameaça institucional. Passaram a servir sistematicamente à blindagem de ministros contra o escrutínio público e investigações, à retaliação contra whistleblowers e, por vezes, até a vendetas pessoais”, diz a ONG.
“As lideranças verdadeiramente democráticas do país devem assumir a responsabilidade de restaurar os limites constitucionais ao exercício do poder pelo STF, antes que a reação a esses abusos deixe de ser uma demanda por normalidade constitucional e passe a se manifestar como ataque irrefreável à própria Corte e à sua independência”, completou.
A decisão de Moraes abre um precedente preocupante para a liberdade de imprensa, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO. Estudiosos do Direito avaliam que a violação da privacidade de profissionais e a consequente investigação de quem fornece informações cruciais para uma reportagem contraria cláusula pétrea da Constituição, ou seja, que não pode ser mudada nem sequer pelo Congresso.
A ordem do ministro, segundo esses especialistas, coloca em xeque não apenas ofício de repórteres, mas a vigilância dos que exercem o poder, uma das características de regimes democráticos.
BS20260813004620.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/08/12/transparencia-internacional-fala-em-blindagem-e-escalada-autoritaria-do-stf-apos-busca-contra-fonte-de-jornalista.ghtml

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