POLÍTICA

Valdemar discorda de Flávio sobre operação na casa de Bolsonaro e diz que ordem de Moraes foi ‘excesso de zelo’

9 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Presidente do PL rejeita avaliação do senador de que ação serviu para criar uma “cortina de fumaça” durante sua agenda nos Estados Unidos

Valdemar Costa Neto comparece a evento de líder do PSD — Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, discordou nesta quarta-feira da avaliação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a operação realizada pela Polícia Federal (PF) na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para verificar se havia armas e munições em sua casa. Enquanto o filho zero um do ex-presidente afirmou que a diligência teve como objetivo criar uma “cortina de fumaça” para ofuscar sua agenda nos Estados Unidos, Valdemar disse não acreditar nessa hipótese e classificou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um “excesso de zelo”.

Durante uma live realizada nos Estados Unidos, Flávio afirmou que a operação foi uma tentativa de “dividir o noticiário” enquanto ele cumpria agenda no país em busca de apoio contra o tarifaço anunciado pelo governo americano.

Questionado sobre a declaração do senador, Valdemar rebateu a tese.

— Não, não acredito nisso. Pode ser. O Flávio foi lá para tentar fazer o melhor pelo país. Foi um excesso de zelo, de preocupação do ministro. É um direito que ele tem, e nós temos que ter paciência. Nós erramos lá atrás quando perdemos a eleição.

O presidente do PL saiu em defesa de Jair Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente vem cumprindo todas as determinações impostas pelo Supremo. Para ele, a diligência determinada por Moraes não se justifica pelos fatos investigados.

— Bobagem, porque o Bolsonaro não fez nada errado. Nem a arma que pegaram com o funcionário dele. Ele tinha dado para o funcionário. O Bolsonaro não faz nada fora da lei. Nada. Ele cumpre todas as determinações do Supremo. Ele não sai fora da linha.

A operação foi realizada na manhã desta quarta-feira por determinação de Moraes, após a defesa de Bolsonaro apresentar informações divergentes sobre o paradeiro de armas registradas em nome do ex-presidente. Na decisão, o ministro afirmou que as inconsistências nas informações prestadas pelos advogados tornaram a busca necessária para verificar se ainda havia armas, munições, acessórios ou documentos de registro sob posse direta ou indireta de Bolsonaro.

Agentes da Polícia Federal permaneceram cerca de uma hora e meia na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar e deixaram o local sem apreender qualquer material.

Enquanto Valdemar evitou atribuir motivação política à diligência, Flávio sustentou que a operação foi utilizada para desviar o foco de sua viagem aos Estados Unidos, para onde foi para participar de audiência sobre possíveis tarifas em produtos brasileiros. Na transmissão, o senador afirmou que a ação representou “mais uma comprovação de como estamos incomodando o sistema” e acusou a Polícia Federal de tentar “dividir o noticiário” enquanto buscava apoio internacional para o Brasil.

Ao comentar a operação da PF, Valdemar também fez um aceno à Michelle, dizendo que a família Bolsonaro “não tem paz” e que, como consequência, a “pessoa se descontrola”, em referência à ex-primeira-dama.

Segundo o presidente do PL, Michelle ainda tem a possibilidade de rever seu posicionamento sobre não querer concorrer a uma vaga no Senado pelo DF neste ano, afirmando estar na torcida para que ela esteja nar urnas.

— Ela tem toda a chance do mundo de rever essa posição dela. O que ela tem passado com o sofrimento do marido descontrola qualquer pessoa. Hoje mesmo vocês sabem que a Polícia Federal esteve lá de novo visitando o Bolsonaro. Eles não têm paz. 
E a pessoa se descontrola.


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