Zema diz que Renan Santos age como ‘metralhadora giratória’ por falta de experiência na gestão pública
7 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
Ex-governador de Minas Gerais afirma que falta ao pré-candidato do Missão à Presidência ‘histórico de entrega’
O governador de Minas, Romeu Zema (Novo) — Foto: Guilherme Bergamini/ALMG
Pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema criticou o adversário do Missão na disputa, Renan Santos, pela falta de experiência na gestão pública. Na sabatina “No Osso”, promovida pelo grupo Derrubando Muros, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que falta ao fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) “histórico de entrega” e que, por isso, ele age como uma “metralhadora giratória”, com críticas aos governantes e à classe política.
O candidato do Missão é, até agora, o único fora da polarização Lula (PT)-Flávio Bolsonaro (PL) que cresceu nas pesquisas. É o outsider que vem dando certo e um fenômeno da internet, conforme analisa a newsletter de Thomas Traumann. Na sabatina desta segunda-feira, Zema descartou formar uma chapa com outro postulante à terceira via, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), e disse tratar com naturalidade a ascensão de Renan Santos.
— Como ele não teve experiência na gestão pública, sai dando tiro como uma metralhadora giratória, prometendo mundos e fundos — destacou Zema, empresário eleito pela primeira vez para cargo público em 2018, também sem experiência prévia no segmento. — Se um dia ele estiver do outro lado do balcão, com certeza as coisas mudam.
Empatado no terceiro lugar com o líder do MBL em sondagens recentes de intenção de voto ao Planalto, Zema acrescentou que, numa democracia, “todos têm direito de ser candidatos”. Mas ponderou que “algumas pesquisas” nas quais o pré-candidato do Missão tem se destacado “são feitas pela internet, o que é diferente da amostra da população brasileira”.
O ex-governador de Minas Gerais também defendeu anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso pela participação na trama golpista. Para Zema, a condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) foi “política”. Questionado sobre os impactos de uma libertação de Bolsonaro para a percepção internacional quanto à segurança jurídica no país, o mineiro admitiu mudar de opinião.
— Talvez deveríamos ter um rejulgamento, com pessoas mais isentas — disse ele, que ainda prometeu passar o “facão” nos gastos públicos e tentar, com reformas, levar a taxa de juros a “algo como 6,5%”.
Renan critica Zema e Nikolas
No sábado, Renan Santos viajou a Belo Horizonte (MG) para participar de um congresso do MBL. Na ocasião, disse que Romeu Zema nunca foi um outsider e vive hoje uma crise de identidade partidária em meio a embates com diretórios estaduais do Novo.
— Eu acho que o Zema se encaixava no velho Partido Novo, e ele hoje está perdido no novo Partido Novo. Para aquele velho Partido Novo, o Zema fez sentido. Ele era um empresário de fora da política, mas ele não era fora do sistema aqui em Minas. É um cara da elite aqui de Minas e não tem nenhuma crítica nisso. É um cara de elite normal, bem situado, bem posicionado, amigo das pessoas certas. Ele ganhou a eleição, e o grupo econômico ligado a ele também se deu muito bem — disse.
As principais críticas de Renan Santos, porém, se voltaram contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com quem se comparou.
— A diferença é de QI e caráter. O Nikolas é uma pessoa simplória e fingida. O Nikolas é uma pessoa falsa, é um influencer. Eu sou um político bom — afirmou, em declarações reproduzidas pelo jornal mineiro O Tempo.
Santos disse, ainda, que falta a Nikolas a capacidade de articulação política. O deputado federal é “um samba de uma nota só”, que “não entrega nada”, e atua mais como um “influencer”, segundo ele.
— O que o Nikolas pensa sobre previdência no Brasil? ‘Cuidado com a esquerda’. O que o Nikolas pensa sobre saúde? ‘A esquerda está vindo aí’. O que o Nikolas pensa sobre educação? Pensa nada. Então, assim, ele tem uma fórmula malandra, ele é um influencer de política — analisou. — Esses caras não foram forjados para governar, eles foram forjados para gravar vídeos. E são ótimos gravadores de vídeo. Então, tem uma diferença muito clara, porque é muito mais fácil eu aprender a gravar um vídeo do que ele aprender a montar um partido político.
Em entrevista à imprensa, em Belo Horizonte, Renan Santos indicou que pretender chegar aos 10% de intenções de voto, mirando em quem votou nulo ou quer fugir da polarização, antes de “buscar” os eleitores de Flávio Bolsonaro. O senador, segundo o pré-candidato do Missão, “largou com uma candidatura defensiva”, para manter o legado do pai, e vive desgastes da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e as investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.
— Eu preciso chegar em 10%, porque desde abril eu já estou consolidado na frente deles [Zema e Caiado]. A Copa do Mundo atrapalha um pouco isso, porque ela faz com que o volume do conteúdo político diminua a um quinto do que é, então as pessoas saem do debate. Mas largar em 10%, dois dígitos, é uma estratégia para eu buscar o Flávio — afirmou ele.
Renan Santos tenta reduzir o desconhecimento nacional em torno de seu nome, mas rechaçou se classificar como um outsider.
— O antissistema sempre tem uma tentativa, tudo que o antissistema faz é ter uma tentativa e ele gasta tudo em uma tentativa. Nós não somos um partido de uma tentativa — disse. — Não é uma surpresa, não somos um Cabo Verde que achou um gol [seleção-sensação da Copa 2026]. Estamos estruturados e vamos “disputar muitas Copas” e com chance de ganhar.