POLÍTICA

Aliado de Flávio Bolsonaro nos EUA justifica ‘erros’ em carta golpista por uso do ChatGPT: ‘achamos engraçado’

29 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Candidato do PL anunciou no documento que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir do país governado por Trump, onde está com a família

Os brasões mostrados nas duas versões da carta — Foto: Reprodução

Aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), Paulo Figueiredo atribui erros na carta com teor golpista em que o senador se autoplocamou “presidente da República”, divulgada nesta quarta-feira, à Inteligência Artificial (IA). Segundo ele, assim que as primeiras versões do texto foram finalizadas, o irmão do candidato do PL, Eduardo Bolsonaro, pediu ao ChatGPT que inserisse o brasão do Brasil, no entanto, a tecnologia teria escolhido o símbolo antigo, utilizado no período da Proclamação da República, em 1889, até 1968, quando foi substituído durante a ditadura militar. A inscrição trazia a frase “Estados Unidos do Brazil”.

“Nós achamos muito engraçado”, disse Figuereido sobre o brasão. “O segundo erro foi que, ao gerar o documento, a IA acabou incluindo uma versão anterior do texto, em que o Flávio se apresentava como o verdadeiro ‘presidente eleito’. Como vocês devem imaginar, uma carta que expressa uma realidade tão complexa passa por várias versões, com a contribuição intelectual de mais de uma pessoa”, explicou.

Figuereido destaca que a versão final se refere a Flávio como “verdadeiro líder” primeiro porque descreve “com mais precisão a situação jurídica” e, segundo, porque carrega “valor moral, que traduz o sentido desejado pelo Flávio”.

“Quando me mandaram a versão tida como final, perguntei se podia distribuir para a imprensa e me deram o ok. Assim o fiz e publiquei no meu X. Pouco depois percebemos os equívocos e corrigimos: primeiro o brasão, depois o texto. Para evitar conflito de versões, deixamos inclusive que o próprio Flávio tuitasse a versão corrigida. Nada demais”, pontuou em nota divulgada no X.

A carta foi divulgada inicialmente por Figueiredo, que também mora nos Estados Unidos, para onde o senador fugiu após a derrota nas urnas para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao enviar o novo documento, o bolsonarista escreveu: “Versão com brasão correto”. Em uma terceira versão, o bolsonarista se apresenta como “líder do Brasil” e não mais como “verdadeiro presidente do Brasil”.

Carta à comunidade internacional

Logo na abertura do documento, que o próprio Flávio divulgou nas redes em seguida, ele se apresenta como vencedor da disputa presidencial, embora tenha sido superado por cerca de 4,4 milhões de votos. “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, alegou.

Na carta, Flávio anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir dos EUA, para onde seguiu com a família, e prometeu apresentar uma estratégia de mobilização de seus apoiadores nos próximos dias.

Ele também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento após sua saída do Brasil, e sustentou, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição presidencial.

No documento, Flávio questiona a decisão de prorrogar o horário de votação até as 19h, tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já divulgou, no entanto, que pouco mais de 30 mil votos foram computados entre 17h e 19h, sem qualquer impacto no resultado geral. O texto não apresenta nenhuma prova de irregularidades capazes de alterar o resultado, acusa o governo Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defende a cassação da chapa adversária.

“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, afirma.

Ao final, Flávio promete manter uma comunicação frequente com seus eleitores e anunciar uma estratégia de atuação política a partir dos Estados Unidos.

“Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos”, diz.

Fuga do Brasil

Flávio está nos Estados Unidos desde a manhã desta quinta-feira. O governo argentino informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones. O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano.

De lá, embarcou em um jatinho rumo a Guayaquill. Já no Equador, decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino ao aeroporto Opa Locka, um terminal executivo no condado de Miami-Dade. O bolsonarista chegou aos Estados Unidos nesta manhã, às 10h24.

Flávio teve os passaportes cancelados por decisão de Moraes, a pedido da Polícia Federal (PF), que alegava risco de fuga no curso das investigações a que o bolsonarista responde. Ele descumpriu a decisão e não entregou os documentos no prazo determinado.

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