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Senador cancelou agenda em Pernambuco e permanecerá o dia de hoje nos Estados Unidos; retorno ao Brasil ocorre nesta quinta-feira

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu prolongar sua permanência em Washington para cumprir uma série de reuniões reservadas após participar, nesta terça-feira, da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
O parlamentar cancelou a agenda que teria na quinta-feira em Pernambuco e permanecerá mais um dia na capital americana para tentar reforçar a interlocução com integrantes ligados à investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão definitiva sobre a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para 15 de julho.
Segundo interlocutores da campanha, a intenção é aproveitar o período posterior à audiência para intensificar ‘conversas fechadas’ com representantes ligados ao USTR e outros interlocutores da administração de Donald Trump. A previsão é que sejam realizados ao menos três encontros.
A avaliação é que, encerrada a etapa pública do processo, este é o momento de reforçar, de forma mais direta, os argumentos apresentados durante a audiência e manter aberta a interlocução até a conclusão da investigação. Os auxiliares evitam detalhar quem participará dos encontros, mas afirmam que a agenda será concentrada em reuniões voltadas ao tema das tarifas.
A mudança de planos foi anunciada pelo próprio senador poucas horas depois de deixar a audiência. Em vídeo divulgado ontem, Flávio informou que adiou o compromisso que teria em Pernambuco para permanecer nos Estados Unidos.
— É muito importante mais reuniões que vamos ter aqui para tentar convencer o governo americano e demonstrar mais uma vez, de forma técnica e política também, de que essas tarifas são muito ruins para o Brasil e também para os Estados Unidos — afirmou.
Ao justificar a decisão, o senador voltou a projetar a eleição presidencial do próximo ano e afirmou que pretende construir uma relação diferente com Washington caso seja eleito.
— A partir do ano que vem o Brasil vai ter um presidente da República que vai poder sentar de igual para igual para negociar com os Estados Unidos, assim como com qualquer outro país, mas sem tarifas sobre a mesa — disse.
A permanência em Washington ocorre após a campanha considerar positiva a participação de Flávio na audiência do USTR. Aliados avaliam que o senador conseguiu reorganizar a narrativa construída depois da divulgação do documento de 86 páginas entregue ao governo americano na semana passada.
No parecer, Flávio defendia a suspensão da entrada em vigor das tarifas enquanto Brasil e Estados Unidos negociassem os temas da investigação comercial. A proposta foi explorada pelo governo Lula como uma defesa do adiamento das medidas para depois das eleições brasileiras, interpretação que a campanha afirma ter conseguido desfazer durante a apresentação desta terça-feira.
Flávio foi o primeiro expositor da programação do dia, abrindo o oitavo painel da audiência. Ao lado dele participaram o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI); Letícia Sperb Masselli, da Abicalçados; Matt Priest, presidente da Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA); e Peter Gerberich, da Gerberich LLC.
Em cinco minutos de apresentação, o senador pediu aos integrantes do USTR que cancelassem as tarifas, preservassem o Pix e permitissem uma negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Ao longo da fala, porém, ampliou o conteúdo político da exposição e procurou convencer os representantes americanos de que a investigação comercial não deveria ser analisada apenas sob a ótica econômica.
Segundo interlocutores que acompanharam a audiência, Flávio fez críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de uma “caça às bruxas” conduzida pelo Judiciário e relacionou a investigação a temas como corrupção. Citou o mensalão, a Operação Lava Jato, as fraudes no INSS, o Banco Master e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sustentando que casos de corrupção possuem responsáveis identificáveis e não deveriam justificar medidas capazes de atingir toda a economia brasileira.
Na etapa de perguntas, integrantes do USTR questionaram quais alternativas os Estados Unidos teriam para pressionar o Brasil sem recorrer às tarifas. Flávio respondeu que Washington dispõe de “instrumentos direcionados” para atingir indivíduos específicos e voltou a afirmar que uma nova rodada de sobretaxas produziria efeito contrário ao pretendido pelos americanos, fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A estratégia de permanecer em Washington também dá continuidade à aproximação iniciada no fim de maio, quando Flávio foi recebido por Trump na Casa Branca em uma agenda articulada por Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e interlocutores ligados ao secretário de Estado, Marco Rubio. Na ocasião, o senador discutiu temas como segurança pública, combate ao crime organizado e relações bilaterais. Dias depois, o governo americano oficializou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, pauta defendida por Flávio durante a viagem e explorada pela campanha como demonstração da interlocução construída com a administração republicana.
Nos bastidores, aliados afirmam que a permanência do senador nos Estados Unidos busca justamente aproveitar esse canal de diálogo antes da decisão marcada para 15 de julho. A expectativa da campanha é que, caso o governo Trump recue da sobretaxa ou reduza seu alcance, Flávio consiga sustentar que sua atuação em Washington contribuiu para evitar prejuízos às empresas brasileiras.
A previsão é que o senador retorne ao Brasil na quinta-feira. A agenda prevista para Pernambuco foi adiada, enquanto os compromissos de pré-campanha no Ceará, na sexta-feira, permanecem.
BS20260708030017.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/08/apos-audiencia-flavio-faz-rodada-de-reunioes-em-washington-para-tentar-reforcar-ofensiva-contra-tarifaco.ghtml

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