
Decreto do fim da escala 6×1 deve ser publicado na segunda-feira, diz ministro
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No ano, emprego com carteira tem saldo de 1,25 milhão, com serviços liderando abertura de postos. Mas mercado de trabalho perde fôlego com juros altos e desaceleração da economia, dizem analistas

O Brasil gerou 121.305 mil vagas formas de trabalho em setembro, número resultante do total de contratações menos o total de demissões. O resultado representa uma queda de 43,5% em relação a setembro de 2025, quando o país registrou a criação de 214.609 empregos com carteira assinada.
Foi o menor resultado para um mês de setembro desde 2020. A mudança da metodologia no Caged impede a comparação com anos anteriores a 2020. Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram publicados pelo Ministério do Trabalho nesta quarta-feira.
Entre janeiro e setembro deste ano, o mercado de trabalho acumulou a criação de 1,248 milhão de vagas com carteira assinada. Uma queda de 27,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de aproximadamente 1,731 milhão de postos.
O setor de serviços é o que lidera, no ano, a geração de empregos formais, com 775,8 mil vagas, crescimento de 3,39%. Construção aparece em seguida, com a abertura de 207,4 mil vagas entre janeiro e setembro, avanço de 7,03%.
Na Indústria, o saldo foi de 188,6 mil empregos, crescimento de 2,1%, com destaque para a fabricação de produtos alimentícios e de veículos automotores, reboques e carrocerias. Já a Agropecuária acumulou 51,9 mil novos postos, alta de 2,87%, puxada principalmente pelas atividades de apoio à agricultura e à pecuária e pelo cultivo de café.
Ao divulgar os dados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reconheceu que a geração de empregos com carteira assinada no país vem desacelerando. O titular da pasta atribuiu não só à perda de fôlego da atividade por meio da redução do consumo, mas também ao patamar restritivo das taxas de juros no país.
— Temos um processo de desaceleração do crescimento [econômico] e, em especial, o problema “juros”, que é nossa questão monotemática aqui desde o ano passado. Os juros vem machucando e alongando os investimentos, e isso se reflete no número de empregos gerados — afirmou.
Para Leandro Padulla, economista do ASA, a perda de ritmo na geração de empregos está relacionada principalmente à redução das contratações. Segundo ele, as admissões recuaram 1,9% em setembro, na comparação com o mês anterior, enquanto os desligamentos caíram 0,4%.
— O resultado reforça a percepção de que o mercado de trabalho formal começa a responder, ainda que gradualmente, à desaceleração da atividade econômica e aos efeitos defasados da política monetária restritiva. A geração de vagas continua positiva, mas está menos disseminada entre os setores e depende cada vez mais de serviços.
Marinho também chamou atenção para mudanças no mercado de trabalho no setor do comércio, que acumulou a abertura de 25,2 mil vagas formais entre janeiro e setembro, crescimento de 0,24%. Na avaliação do ministro, o avanço das compras pela internet pode estar contribuindo para uma redução da demanda por trabalhadores em lojas físicas.
— Ainda não dá pra cravar categoricamente, mas tem-se uma percepção de lojas físicas diminuindo nas periferias. Aparentemente, há um aumento das compras on-line. Isso ajuda a explicar.
Em setembro, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldo positivo na geração de empregos formais. O setor de serviços foi o que mais puxou a criação de postos, com mais de 81 mil vagas formais, seguido pela indústria (19 mil), comércio (15 mil) e construção (9 mil).
Entre as unidades da federação, 26 dos 27 estados tiveram saldo positivo em setembro. São Paulo liderou em números absolutos, com 19.391 vagas, seguido por Pernambuco (13.371) e Alagoas (11.110). Em termos proporcionais, Alagoas teve o melhor resultado, com crescimento de 2,47% no estoque de empregos, seguido por Amapá (1,35%) e Roraima (1,23%).
O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.429,41 em setembro, recuo de 0,05% em relação a agosto, quando estava em R$ 2.430,51. Na comparação com setembro de 2025, porém, houve aumento de 1,88%, equivalente a R$ 44,90.
BS20261104175605.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/11/04/brasil-cria-1213-mil-vagas-formais-em-setembro-queda-de-435percent-ante-2025.ghtml

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