Bloqueio de verba de Jaques faz Alcolumbre mobilizar Senado e tratar caso como prioridade para reagir à PF
3 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
Presidente do Senado deixou a Advocacia da Casa à disposição para auxiliar na defesa do parlamentar
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vê como prioridade uma resposta institucional à operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA). Ele anunciou nesta semana que colocou a Advocacia-Geral do Senado à disposição para auxiliar na defesa do parlamentar. De acordo com aliados do presidente do Senado, o gesto se deu por conta de medidas que afetam a conta-salário de Wagner e verbas ligadas ao mandato.
Wagner, que era líder do governo no Senado, mas que saiu do cargo após desgastes, foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF que investigam suspeitas de que ele teria recebido ‘vantagens indevidas’ para favorecer os interesses do Banco Master.
Interlocutores de Alcolumbre dizem que a decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a operação inclui bloqueio de contas de Wagner, afetando a conta-salário dele como senador e verbas de utilização no exercício da atividade parlamentar.
O presidente do Senado tem citado essas medidas como uma justificativa para dar atenção especial a esse caso e não ter feito o mesmo gesto, por exemplo, quando o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP), também foi alvo de operação da PF relacionada às investigações do caso Master.
Outro argumento citado pelo presidente do Senado é que Ciro Nogueira também não pediu o auxílio da Advocacia-Geral do Senado.
O presidente do Senado tem procurado dar uma resposta ao avanço das investigações que miram parlamentares e outras autoridades.
Ao anunciar na terça-feira que o Senado irá oferecer estrutura para auxiliar Wagner, Alcolumbre aproveitou o discurso para reclamar que o STF tem limitado a atuação dos senadores e disse que esse é um assunto que precisa ser tratado institucionalmente pela Casa, em sinal de atrito entre os Poderes Legislativo e Judiciário.
– Na minha condição de presidente do Senado, eu necessito, institucionalmente, defender todas as prerrogativas dos senadores e das senadoras. E disse ao senador Jaques Wagner, que teve, nas decisões judiciais, parte da sua atuação parlamentar desestabilizada. Por quê? Algumas decisões que foram tomadas pelo Judiciário estão diminuindo a condição do mandato de senador – declarou.
Alcolumbre não foi alvo de operações da PF relacionadas ao caso, mas em meio ao cerco contra o Banco Master, que foi alvo de liquidação extrajudicial e teve seu dono preso, o presidente do Senado tem um aliado alvo de questionamentos no Amapá por levar o fundo de pensão do estado a alocar R$ 400 milhões em papéis da instituição.
Os aportes da Amapá Previdência (Amprev), que ocorreram em julho de 2024, foram conduzidos pelo presidente do fundo, Jocildo Silva Lemos, que afirma ter assumido o comando do fundo por “convite” de Alcolumbre. O senador tem negado qualquer envolvimento com o escândalo financeiro.