ECONOMIA

BNDES recebe a partir de hoje pedidos de empréstimos para o Brasil Soberano 3, com R$ 22,6 bi no total

17 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Terceira fase de programa de socorro para exportadores afetados pelo tarifaço dos EUA foi lançada em julho

Terminal de Contêineres (Tecon), no Porto de Santos — Foto: Divulgação/Santos

O BNDES abriu, a partir desta quinta-feira, o protocolo para que empresas elegíveis possam solicitar crédito na terceira edição do Plano Brasil Soberano, o programa de socorro a empresas exportadoras afetadas por sobretaxas impostas pelos EUA — e que, desde os ataques americanos e israelenses contra o Irã, foi ampliado para outros setores afetados pelo conflito.

A nova edição do programa tem disponível R$ 22,6 bilhões. Inicialmente, a nova fase teria um total de R$ 18,5 bilhões, sendo que R$ 13,5 bilhões viriam do Tesouro Nacional, e R$ 5 bilhões, do BNDES, mas, no início do mês, o banco de fomento anunciou a ampliação da sua parte, para R$ 9,1 bilhões.

No fim de agosto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou mudanças de regras de crédito para ampliar o financiamento para empresas de fertilizantes e reduzir encargos para produtores de minerais críticos.

A terceira fase do Brasil Soberano foi anunciada em julho, com a edição de uma medida provisória (MP) e cerimônia no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

‘Iniciativa fundamental’, diz Mercadante

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a nova fase do Brasil Soberano “confirma que a iniciativa está sendo fundamental para apoiar as empresas brasileiras que ainda enfrentam o tarifaço imposto de forma unilateral pelos Estados Unidos”.

O programa “contribui para que a indústria nacional diversifique mercados e fortalece setores indispensáveis, como fertilizantes e minerais críticos”, disse Mercadante, em nota.

Os R$ 22,6 bilhões da terceira fase do programa serão divididos da seguinte forma:

  • R$ 8,8 bilhões, para exportadores e seus fornecedores afetados pela aplicação de percentuais majorados de tarifas pelos EUA;
  • R$ 6,8 bilhões, para exportadores e seus fornecedores que exportam para países do Golfo Pérsico, região afetada pelo conflito no Oriente Médio;
  • R$ 1 bilhão, para empresas atuantes em setores industriais relevantes ao comércio exterior brasileiro;
  • R$ 4 bilhões, para empresas atuantes em atividades relacionadas à fabricação de adubos e fertilizantes ou de intermediários para fertilizantes;
  • R$ 2 bilhões, para empresas atuantes em atividades industriais e tecnológicas na cadeia de minerais críticos e estratégicos, considerando as etapas de lavra (extração do minério do solo), desde que associada a processos de beneficiamento, refino ou de transformação de minerais.

Tipos de linhas de crédito

As linhas de financiamento abrangem os seguintes fins:

  • capital de giro;
  • capital de giro para exportação;
  • aquisição de bens de capital ou investimentos para adaptação de atividade produtiva;
  • investimentos que propiciem a ampliação da capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção;
  • investimento em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos; entre outras hipóteses definidas pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Juros abaixo das taxas de mercado

As condições de crédito, com juros abaixo das taxas de mercado, são as seguintes:

  • 9,8% ao ano, na linha de capital de giro para grandes empresas;
  • 8,3% ao ano, na linha de capital de giro para micro, pequenas e média empresas;
  • 8,3% ao ano, para empresas de todos os portes na linha de capital de giro voltado à exportação;
  • 8% ao ano, para empresas de todos os portes na linha para aquisição de bens de capital;
  • 6,5% ao ano, para empresas de todos os portes na linha para investimento;
  • 3% ao ano, na linha de crédito específica para minerais críticos.

Recursos de fases anteriores

No lançamento da terceira fase do Brasil Soberano, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que, na parcela que cabe ao Tesouro, o governo estava aproveitando recursos que já foram mobilizados pelo BNDES e que não foram utilizados, nas duas fases anteriores do programa.

Apesar da ampliação de recursos pelo BNDES, segundo Durigan afirmou na ocasião, não necessariamente todo o valor disponível seria emprestado, pois “vamos usar quando a demanda aparecer”.

No Brasil Soberano 2, anunciado em março, aconteceu coisa parecida. O programa foi lançado com R$ 15 bilhões do FGE, o fundo federal que garante o crédito ao comércio exterior, e, ao abrir o recebimento de pedidos por parte das empresas, o BNDES anunciou a disponibilização de mais R$ 6 bilhões.

Lançamento 1 ano atrás, com R$ 40 bi

O Brasil Soberano foi lançado em agosto passado, com um total de R$ 40 bilhões, e começou a operar em setembro. Do total de recursos, R$ 30 bilhões vieram do FGE e R$ 10 bilhões de recursos próprios do BNDES.

Apesar das cifras bilionárias, os empréstimos aprovados até meados de dezembro somaram R$ 16,2 bilhões, menos da metade do valor total disponível.

A primeira edição do programa se encerrou porque a MP que o criou perdeu a validade, já que não foi convertida em lei pelo Congresso dentro do prazo previsto.

BS20260917110001.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/17/bndes-recebe-a-partir-de-hoje-pedidos-de-emprestimos-para-o-brasil-soberano-3-com-r-226-bi-no-total.ghtml

Artigos Relacionados