VARIEDADES

De hits infantis à remissão do câncer, Simony chega aos 50 anos em momento de recomeço: ‘Quero viver’

1 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Ex-estrela do Balão Mágico celebra cinco décadas de vida em um momento de recomeço, após superar o câncer, revisitar a própria história e seguir conectada ao público que cresceu com ela

De hits infantis à remissão do câncer: Simony chega aos 50 anos em momento de recomeço: ‘Quero viver’ — Foto: Instagram/reprodução

Quando a música “Superfantástico” toca, é difícil não voltar no tempo. A voz de Simony marcou uma geração inteira como um dos rostos mais populares da TV infantil nos anos 1980. Nesta quarta-feira, 1º de julho, a cantora completa 50 anos com motivos de sobra para comemorar e, acima de tudo, para agradecer. Mais do que uma virada de chave cronológica, a data representa a vitória definitiva da artista, que recentemente enfrentou e venceu uma das batalhas mais duras de sua trajetória: um câncer de intestino diagnosticado em 2022.

Nascida em São Paulo, numa família circense, Simony Benelli Galasso já era um fenômeno de popularidade muito antes de influenciadores e redes sociais. Descoberta no “Programa Raul Gil”, ela se tornou a única integrante mulher e líder do Balão Mágico, ao lado de Tob, Mike e Jairzinho. Formado em 1982, o grupo infantil vendeu mais de 5 milhões de discos com hits como “Superfantástico”, “Amigos do peito” e “Ursinho Pimpão”, além de ganhar um programa próprio na Globo, exibido entre 1983 e 1986.

O fenômeno lotou ginásios país afora e rendeu parcerias com nomes como Roberto Carlos e Djavan. Mas o sucesso também teve seu preço. Em 2023, o documentário “A superfantástica história do Balão”, da Star+, revelou bastidores pesados da fama precoce, incluindo acusações contra a própria mãe de Simony, Maricleuza Benelli, sobre o controle exercido sobre o grupo.

Depois do auge infantil, a artista construiu uma carreira na música e na televisão, passando por programas de auditório, realities e apresentações. Também viveu fases de maior exposição na imprensa por causa da vida pessoal, mas nunca deixou completamente os holofotes.

Depois do fim do Balão Mágico, em 1986, Simony seguiu na TV: formou dupla com Jairzinho, comandou o “Nave da Fantasia” na extinta TV Manchete e, no fim da década, assumiu o “Dó Ré Mi Fá Sol Lá Simony” e o “Show da Simony” no SBT. Tentou a carreira solo na adolescência, com o disco “Sonhando acordada”.

Ao longo dos anos, o público acompanhou o seu “antes e depois”. A transição da menina doce de franjinha para uma mulher de personalidade forte, que lançou CDs nos anos 90, viveu romances intensos e nunca teve medo de se posicionar. Aos 18 anos, posou totalmente nua na revista “Playboy”.

“Quando eu recebi a proposta, perguntei para meus pais, eles acharam ok. Eu nem lembro se fui criticada. Eu tava com uma música linda na novela, a revista vendeu horrores, e eu tava superbem e superfeliz”, disse a cantora no documentário.

Viveu períodos conturbados na vida pessoal. Ela já contou publicamente que foi traída pelo namorado Alexandre Pires com Carla Perez. Ela também teve um relacionamento no início dos anos 2000 com o rapper Afro-X, então preso no Carandiru. Afro-X relembrou este ano o casamento que viveu com Simony no início dos anos 2000. Os dois se conheceram e se casaram quando o rapper estava preso, cumprindo pena por assalto à mão armada no presídio do Carandiru, em São Paulo.

Simony também participou do reality “Power Couple Brasil” ao lado do ex-marido, Patrick Silva, em 2016. Os dois foram casados por seis anos e colocaram um ponto final na reação em julho de 2019.

Nos últimos anos, porém, foi outra história que aproximou Simony do público. Em agosto de 2022, ela revelou o diagnóstico de um carcinoma epidermoide no canal anal. A cantora enfrentou sessões de quimioterapia, radioterapia e, posteriormente, imunoterapia, compartilhando todas as etapas da luta nas redes sociais.

Simony mostrou os desafios da perda de cabelo e as mudanças no corpo com uma honestidade dolorosa e necessária. Em março deste ano, comemorou um marco importante: exames apontaram remissão completa da doença, resultado confirmado por sua equipe médica. Ainda assim, o acompanhamento continua sendo necessário, já que remissão não significa, automaticamente, cura definitiva.

“Então você que está hoje olhando para a gente, deitado em uma cama e dizendo não tenho salvação, tem”, disse a artista.

A batalha também teve um alto custo financeiro. Em entrevistas recentes, Simony contou que precisou vender um terreno para custear parte do tratamento, que ultrapassou R$ 500 mil, e disse que abriria mão de outros bens se fosse necessário para preservar a própria vida.

“Há quase 4 anos, sim, eu vendi um terreno para pagar parte do meu tratamento durante a transição do meu plano de saúde. Tem gente que investe R$ 500 mil em uma bolsa. E está tudo bem. Eu investi na minha saúde. E também está tudo bem. E faria exatamente a mesma escolha de novo. Venderia tudo o que tenho para continuar viva”, escreveu ela no Instagram há 5 dias.

Hoje, a artista costuma usar as redes sociais para falar sobre fé, saúde, maternidade e qualidade de vida. Em vez da rotina intensa da fama infantil, prefere dividir reflexões sobre o presente e celebrar pequenas conquistas. Em uma das publicações mais recentes, resumiu a nova fase com uma frase simples: “A vida é curta. Então curta a vida”.

Hoje, ela é mãe de quatro filhos, Ryan, Aysha, Pyetra e Anthony. No dia dos namorados, fez uma reflexão sobre seu momento pessoal.

“Depois que eu quase morri, entendi uma coisa muito importante: eu quero viver. Viver aquilo que me faz sentido. O que me dá vontade. Sem rótulos. Sem personagens. Quero amar. Quero ser amada. Quero verdade. Quero olho no olho. Mas também quero meu espaço”, disse.



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