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Já o Executivo trabalha na edição de um decreto para regulamentar a regra de transição

Uma ala do Senado avança na preparação de uma proposta de emenda constitucional (PEC) para ajustar o fim da escala 6×1 a categorias que têm jornadas diferenciadas. O texto ainda está em elaboração, mas deve ser apresentado na semana que vem e, segundo técnicos a par das discussões, a ideia é deixar de fora das novas regras algumas categorias de trabalhadores.
Entre elas, estariam profissionais que trabalham em regime de revezamento, como embarcados nas plataformas de petróleo, aeroviários e caminhoneiros, por exemplo. O argumento é que esses grupos têm jornadas seguidas de serviço, com vários dias corridos de folga e, portanto, não faria sentido assegurar dois dias de descanso no fim de semana, o que também seria praticamente inviável.
Na emenda já aprovada, está previsto que as folgas semanais podem ser realocadas por acordo coletivo, desde que fechem duas por semana na média e que seja garantido um descanso a cada 7 dias de trabalho. Na avaliação de técnicos do Senado, isso inviabilizaria casos como trabalhadores embarcados.
O texto da PEC paralela será apresentada pelo líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM). Segundo técnicos, a proposta também conta com o apoio da consultoria jurídica da Casa. Esse novo texto seria parte de um acordo com Alcolumbre para aprovar sem mudanças a PEC principal antes do segundo turno.
A PEC em discussão também criaria exceção para as ocupações com jornada inferior a 40 horas por semana — ou jornada máxima de cinco horas diárias, que geralmente são ampliadas com horas extras contratuais. Neste caso, a ideia é permitir a ampliação da carga horária diária ou a manutenção das regras vigentes em negociação com os sindicatos de trabalhadores. A emenda já em vigor determina que jornadas já fixadas em até 40 horas não sofrerão redução proporcional.
A PEC que acabou com a escala 6×1 foi promulgada pelo Senado em 16 de outubro. O texto institui a jornada 5×2, que prevê cinco dias semanais de trabalho com carga horária de oito horas diárias e dois dias de descanso, sendo um de preferência aos domingos.
A nova regra entra em vigor em 16 de dezembro. Além disso, a escala semanal cairá de 44 horas para 42 horas, sem redução de salário, para todos os trabalhadores. Um ano depois, a carga horária cairá para 40 horas.
O texto da PEC paralela deverá ficar pronto na terça-feira, quando deverá ser dada a largada para a coleta de assinaturas necessárias à apresentação da proposta. Deverá ser uma proposta enxuta, disse um interlocutor, mas já circulam no Senado duas propostas de emenda.
Uma delas trata da ampliação do prazo de transição. A outra trata da incidência de verbas trabalhistas somente sobre um dia de descanso e não nos dois dias, para evitar aumento de custos para os empregadores. O argumento para esse segundo ponto é que a premissa do fim da jornada 6×1 foi reduzir a carga de trabalho mantendo o salário, sem diminuí-lo nem aumentá-lo.
Um interlocutor observa que a mudança já vai levar a um aumento do valor da hora unitária de trabalho. O salário por hora terá de ser divido por 200 horas e não 220 horas, como é atualmente. Esse divisor considera o mês padrão de 30 dias.
Já o Executivo trabalha na edição de um decreto para regulamentar a regra de transição e em um projeto de lei para tratar das ocupações com escalas específicas. O Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana para tratar do assunto.
A PEC do fim da escala 6×1 foi bandeira eleitoral do petista na campanha presidencial, sobretudo no segundo turno das eleições. O texto foi aprovado pela Câmara no final de maio e avançou no Senado entre os dois turnos do pleito.
BS20261030103009.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/10/fim-da-escala-6×1-senadores-preparam-pec-para-categorias-com-jornadas-diferenciadas.ghtml

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