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Brasileiro e argentino são os únicos do continente na categoria que já teve Senna e Fangio

O título da Copa do Mundo de 2026 ficou com a Espanha contra a Argentina, em mais um duelo entre Europa e América do Sul. Na Fórmula 1, a realidade entre os continentes é diferente. Há anos um piloto sul-americano não luta pelo título da categoria. Mas é verdade que há uma mudança gradual na participação de pilotos nascidos abaixo da Linha do Equador. Nesta temporada, o brasileiro Gabriel Bortoleto e o argentino Franco Colapinto são os representantes. Eles largam, respectivamente, em 14º e 13º no GP da Hungria deste domingo, às 10h, com transmissão da TV Globo. O inglês Lando Norris, da Mclaren, é o pole.
Este número ainda é bem pequeno se comparado às primeiras décadas da categoria. Nos anos 1950, por exemplo, Brasil e Argentina chegaram a ter quase dez pilotos nos grids daquele período. Um cenário bem diferente e desolador do que foi pintado na virada da década passada para esta. Do início da temporada de 2018 até o GP da Holanda de 2024, o único piloto da América do Sul que acelerou na Fórmula 1 foi Pietro Fittipaldi, que participou de dois Grandes Prêmios em 2020, substituindo o titular da equipe Haas, Romain Grosjean.
O panorama começou a mudar a partir da corrida seguinte, disputada em Monza, em 2024, mesmo que timidamente. Naquele GP, o argentino Franco Colapinto estreou na Williams e reabriu as portas da F1 para os sul-americanos. No ano seguinte, em 2025, foi a vez de o brasileiro Gabriel Bortoleto chegar à categoria pela equipe Sauber. Hoje, eles dividem o grid com 15 europeus, dois norte-americanos, dois oceânicos e um asiático.
Atualmente na escuderia Alpine, Franco Colapinto confia que o número de sul-americanos na Fórmula 1 poderá aumentar nos próximos anos.
— O esporte e o apoio estão crescendo nos últimos tempos, e as oportunidades estão se tornando cada vez maiores para brasileiros e argentinos. Dá para ver isso desde que cheguei à Fórmula 1, em 2024 — disse Franco, que é o terceiro argentino que mais vezes correu na F1, atrás apenas de Carlos Reutemann e Juan Manuel Fangio.
Único representante do Brasil no grid de 2026, Gabriel Bortoleto afirmou que o imediatismo de resultados é um fator determinante.
— Antigamente, o equipamento de kartismo no Brasil era bem parecido com o europeu. Então, o cara saía do nosso país não tão jovem, vinha para a Europa, conseguia fazer bons resultados e chegava à Fórmula 1. Hoje em dia, se você não vem para a Europa com 11 ou 12 anos e vem mais tarde que isso, dificilmente você vai conseguir ser competitivo nas categorias mais altas. Se você não ganha no primeiro ano ou chega ao top 3, digamos assim, a chance de chegar à Fórmula 1 passa a ser muito pequena — opinou o piloto brasileiro da Audi.
Franco Colapinto explicou que pilotos sul-americanos enfrentam mais obstáculos do que europeus antes de chegarem à F1.
— Nascemos muito longe da Europa e, por isso, passamos por muitos sacrifícios. Além disso, precisamos tomar decisões muito difíceis. Sei que todo piloto de Fórmula 1 já teve de tomar decisões, mas, vindo de tão longe, de um país que está do outro lado do oceano, é muito mais difícil. Uma dessas decisões foi ter vindo muito jovem para a Europa. O risco era muito alto. Tive muita sorte de, aos 14 anos, vir para a Europa e morar na fábrica de karts da CRG, na Itália. Era uma época em que eu não tinha orçamento. Para os jovens europeus, é um pouco mais prático. Você volta de uma corrida de kart, por exemplo, e está com sua família à noite. Eu passei muitas noites sozinho naquela fábrica. E todas essas situações, claro, me tornaram mais forte — contou Franco.
Real desvalorizado
Para Bortoleto, a questão financeira também é um obstáculo para brasileiros e argentinos.
— Para nós, sul-americanos, é cada vez mais difícil conseguir pagar os custos. As categorias têm ficado cada vez mais caras na Europa, e a nossa moeda está muito desvalorizada em comparação ao euro e ao dólar — afirmou Gabriel.
— Eu sou uma pessoa muito afortunada. Vim para a Europa com 11 ou 12 anos, e meu pai conseguiu que eu competisse em boas equipes. Depois, conseguimos vários patrocinadores que estão comigo até hoje. Então, nesse sentido, acho que a minha carreira deu certo — contou Bortoleto.
Numa Fórmula 1 de grandes ídolos, Franco Colapinto revelou sua inspiração para ser piloto.
— Eu sou um grande fã do Ayrton Senna desde pequeno. E foi por isso que comecei a amar este esporte e a acompanhar a Fórmula 1. A influência que ele teve na categoria e nos fãs é algo que aprecio muito. O mesmo sentimento que tenho pelo Juan Manuel Fangio, o melhor piloto da história da Argentina. Li muitos livros sobre ele e sei o que ele representa. Estes dois pilotos são uma grande influência e motivação para mim — revelou Colapinto.
O argentino lembrou que tem um papel importante, assim como Gabriel Bortoleto, para as novas gerações de pilotos sul-americanos.
— Eu e o Gabi Bortoleto estamos abrindo este esporte cada vez mais para os jovens da América do Sul. E juntos conseguimos representar nossos países e, ao mesmo tempo, realizar nossos sonhos. Acredito que as nossas presenças aqui na Fórmula 1 são um grande impulso para todas as crianças que sonham em chegar aqui no futuro. Juntos, tentamos tornar o esporte mais acessível em nossos países — declarou Franco Colapinto.
Para o Brasil, o nome da vez é Rafael Câmara. O piloto brasileiro de 21 anos da equipe Invicta Racing está na terceira colocação do campeonato da Fórmula 2, última categoria antes da F1. O pernambucano Rafa Câmara, que é piloto da Academia da Ferrari desde a temporada de 2022, tem seu nome ventilado em alguns veículos de comunicação europeus para ser titular em 2027 na equipe Haas, que utiliza motores Ferrari. Por enquanto, nem ele nem as três equipes envolvidas neste rumor confirmam a informação.

BS20260726033008.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/07/26/gabriel-bortoleto-e-franco-colapinto-buscam-resgatar-tradicao-dos-pilotos-sul-americanos-na-formula-1.ghtml

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