Imprensa internacional analisa julgamento adiado no STF, destaca Mendonça e Moraes e cita ‘tensão e acusações’
16 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Britânico The Guardian vê ‘luta feroz’ entre ministros do Supremo e El País uruguaio publicou perfis de magistrados; sessão também foi notícia nos EUA e Japão
Jornal uruguaio fez perfis de Alexandre de Moraes e André Mendonça — Foto: Reprodução e Alejandro Zambrana/STF
Após o pedido de vista de Flávio Dino, que adiou a conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, jornais de todo o mundo repercutiram a “tensão” e as “acusações” durante a sessão extraordinária na Corte. Nas publicações, os veículos destacaram a crise interna vivida pelo tribunal, os impactos na corrida eleitoral e tentaram explicar ao público estrangeiro quem eram os principais personagens do julgamento.
O uruguaio El País publicou reportagens sobre a repercussão internacional do julgamento na Suprema Corte, fez perfis de Alexandre de Moraes e André Mendonça e classificou como “crise sem precedentes” o momento vivido pelo STF, que é visto com desconfiança por 30% dos eleitores de Lula e 69% dos eleitores bolsonaristas.
O periódico destacou o motivo do julgamento, convocado para avaliar o relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, a Alexandre de Moraes, e definir se será iniciada a primeira investigação da história do país contra um integrante da Suprema Corte.
No texto que descreveu os momentos-chave da primeira sessão do julgamento, marcada por “momentos de tensão” e “acusações”, o jornal uruguaio destacou trechos de frases proferidas por Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Edson Fachin. “Tenho testemunhas”, “Aprendiz de Feiticeiro”, “até as pessoas bem-intencionadas cometem erros” e “não se julgam as pessoas, mas os fatos e as questões jurídicas”, lembrou o El País.
O periódico também fez perfis de Mendonça e Moraes. Ao descrever o ministro do STF indicado por Michel Temer, chamou-o de “grande inimigo do bolsonarismo”, em referência ao julgamento que condenou Jair Bolsonaro. O magistrado, descrito como “presbiteriano” e “terrivelmente evangélico”, foi indicado justamente por Jair Bolsonaro, como lembrou o periódico.
A agência de notícias americana Associated Press (AP) e o Japan Times, veículo japonês, destacaram a suspensão das deliberações na Suprema Corte após o pedido de vista de Flávio Dino. Os veículos também passaram pelos momentos-chave da primeira sessão do julgamento. A AP lembrou de Cármen Lúcia, única mulher da Suprema Corte e a última a dar seu parecer sobre a questão de ordem levantada por Gilmar Mendes. A agência americana reportou o início do voto da ministra, que se mostrou consternada com a situação: “Eu estou triste não apenas pelo assunto que nos traz aqui, mas, também, porque a Suprema Corte, guardiã da Constituição, gerou intranquilidade a todos os cidadãos brasileiros nos últimos dias”.
Também nos Estados Unidos, o Washington Post destacou que “muitos brasileiros passaram a manhã grudados na televisão”, acompanhando a decisão da Suprema Corte a respeito da inclusão ou não de Alexandre de Moraes nas investigações relativas ao Banco Master, “um caso que envolveu políticos de alto escalão e membros do Judiciário”, lembrou o periódico tradicional americano. O texto, assim como o de muitos veículos, trouxe aspas dos personagens do julgamento, inclusive uma fala do ministro Alexandre de Moraes, que acusou André Mendonça de trabalhar “para um grupo político que tentou promover um golpe” no Brasil. A acusação foi posteriormente negada pelo juíz do Supremo indicado por Jair Bolsonaro.
Em reportagem sobre o julgamento, o britânico The Guardian caracterizou as acusações e os momentos mais tensos da sessão na Corte como uma “luta feroz” que “irrompe no Supremo Tribunal do Brasil às vésperas da eleição presidencial”. A crise no tribunal foi descrita como “a mais grave desde o retorno da democracia nos anos 80”, opondo dois “juízes rivais”.
A reportagem lembrou que um dos momentos “mais ferozes” de troca de farpas ocorreu quando Alexandre de Moraes repreendeu André Mendonça, acusando-o de estar “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”. O bate-boca entre Gilmar Mendes e Mendonça também foi citado.
O jornal argentino Clarín, por sua vez, escreveu: “Em uma sessão histórica, uma Corte dividida e em guerra decide se investiga o ministro Alexandre de Moraes por corrupção”. O texto afirma que Moraes é “um herói para muitos simpatizantes de Lula por supervisionar o caso que levou à condenação do ex-presidente Bolsonaro por tentar um golpe de Estado”.