Órgão ligado ao Senado estima déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027
18 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Número representa uma diferença sobre as previsões do governo, que trabalha com um superávit de R$ 18,6 bilhões
O prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado Federal, prevê um déficit de R$ 86,1 bilhões nas contas do governo no próximo ano, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira.
O valor contrasta fortemente com a estimativa de superávit de R$ 18,6 bilhões com a qual o governo trabalha para o próximo ano, conforme o projeto de lei orçamentária de 2027, enviado ao Congresso no fim de agosto.
A divergência está nos parâmetros macroeconômicos. O governo ancora-se em uma projeção de expansão do PIB de 2,5%, a IFI projeta um crescimento de 1,8% e o Boletim Focus, 1,5%.
“Isso tem profundas implicações no dimensionamento das receitas públicas: mais ou menos crescimento econômico, mais ou menos recursos disponíveis para financiar a máquina e as políticas públicas”, diz o relatório.
Outra variável importante na construção da estrutura do orçamento é a inflação. O governo estima um IPCA de 3,6% no próximo ano, a IFI projeta 4,0% e o Boletim Focus, 4,3%. Também na projeção da massa salarial, vetor importante no cálculo da receita previdenciária, o governo usou como parâmetro um incremento de 10,1%, enquanto a IFI trabalha com uma expansão de 7,3%.
Para a IFI, essas discrepâncias afetam a própria perspectiva de cumprimento das metas previstas no arcabouço fiscal. A IFI avalia que, mesmo após as exclusões legais de despesas na apuração do resultado primário, haverá superávit primário inferior a R$ 1 bilhão, insuficiente para o cumprimento da meta fiscal, ainda que no limite inferior do intervalo de tolerância de 0,25 ponto porcentual do PIB.
Com isso, a IFI aponta a necessidade de contingenciamento de R$ 35,7 bilhões para o cumprimento da meta no próximo ano.
Os números da IFI são mais otimistas em relação às receitas derivadas da exploração de recursos naturais e dos dividendos repassados ao Tesouro Nacional pelas empresas estatais, em função do preço médio do barril de petróleo considerado.