POLÍTICA

Advogado que pediu para jantar durante julgamento da trama golpista é acusado de agredir a mulher grávida

14 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Justiça concede medida protetiva à ex-companheira de Matheus Mayer Milanez, que nega agressão

O advogado do general Augusto Heleno, Matheus Milanez, em sustentação oral na qual fez citação ‘terraplanismo argumentativo’ contra cliente (à esquerda); de volta ao Supremo nesta segunda-feira, ele pediu a Moraes que início da próxima sessão de interrogatórios fosse postergado (à direita) — Foto: Reprodução/TV Justiça

A Justiça do Distrito Federal concedeu medida protetiva à ex-companheira do advogado Matheus Mayer Milanez, que defendeu o general Augusto Heleno no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). O profissional ganhou notoriedade pela atuação no caso e também por ter pedido ao ministro Alexandre de Moraes para adiar os depoimentos dos réus porque precisava de mais tempo para jantar. Meses depois, Milanez anunciou a candidatura pelo Republicanos a deputado federal pelo Distrito Federal.

A ex-esposa do advogado, cujo nome não foi divulgado oficialmente, o acusa de agredi-la em ao menos três ocasiões desde dezembro do ano passado. A mulher relatou ter sofrido violência na décima semana de gestação (em dezembro), em 13 de junho deste ano e em 2 de agosto. No último caso, ela teria sido empurrada e obrigada a sair de casa, numa agressão que teria sido presenciada por uma amiga. A denunciante afirmou à Justiça ter medo da influência de Milanez.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) determinou que o advogado mantenha distância de pelo menos 300 metros da ex-mulher e se abstenha de fazer qualquer tipo de contato com a vítima, sob pena de prisão preventiva.

“A informação por ela trazida demonstra a necessidade de se conceder medidas para a proteção da ofendida”, escreveu o juiz responsável, na decisão.

Em nota reproduzida pelo Metrópoles, Milanez negou “qualquer prática de agressão” e disse que as sequências dos fatos serão “devidamente esclarecidas” nos autos. Ele disse que trataria o caso com discrição e não divulgaria detalhes de uma “questão familiar” por “respeito à mãe do meu filho e, sobretudo, à criança que está por vir”.

Advogado viralizou durante julgamento da trama golpista

Ativo nas redes sociais, Milanez se descreve como professor e diz ter “honra de ser advogado”. Ele já relatou que tem como amuleto um anel dourado herdado do pai. “Um lembrete diário de que estou aqui para defender histórias, acreditar naqueles que ninguém mais acredita”, escreveu na legenda.

Em seu pleito viral nas redes sociais, no julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista, o advogado do general Augusto Heleno pediu a postergação do início da audiência das 9h para as 10h, argumentando ainda que estava com fome por não ter tido tempo de almoçar. Em resposta, Moraes disse “imagine eu” e falou que ele teria tempo para tomar “um belo brunch” assim que os interrogatórios terminasse. Com a repercussão da fala, Milanez fez um post nos stories do Instagram horas depois, avisando que havia chegado em casa e iria se preparar para jantar.

No segundo dia do julgamento, Matheus Milanez chamou atenção a atenção novamente, dessa vez por recorrer a uma expressão típica de Minas Gerais: “toró de parpite”. A fala aconteceu quando ele comentava a reunião ministerial apresentada pela acusação como prova de que Bolsonaro e seus auxiliares teriam discutido medidas para questionar o resultado das eleições de 2022 e organizar os atos golpistas de 8 de janeiro.

No início de 2025, durante a análise da denúncia contra os réus pela Primeira Turma do STF, ele também usou a expressão “terraplanismo argumentativo” em defesa de seu cliente.

— Ainda sobre a agenda [atribuída a Heleno na denúncia], a própria Procuradoria-Geral da República cita anotações variadas, ou seja, um apunhado de ideais, mas que sobre elas constrói seu entendimento. Com isso, eu recordo muito de uma série que está passando em um grande streaming em que cientistas querem chegar a uma conclusão e eles vão construindo provas para chegar nisso. O objetivo é provar que a terra é plana e eles vão fazendo inúmeros estudos para se provar isso. Está sendo assim no presente caso, por isso falamos em terraplanismo argumentativo — disse na ocasião.

O argumento já havia sido usado pela defesa de Heleno na apresentação da resposta ao Supremo no início do mês de março de 2025. Isso porque, segundo Milanez, na denúncia, a PGR usou como prova uma agenda encontrada pela Polícia Federal na casa do general, onde havia “diretrizes” sobre como “disseminar ataques ao sistema eleitoral”. No material, com uma logomarca de um banco público, Heleno alertava para a necessidade de “estabelecer um discurso sobre urnas eletrônicas e votações”.



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