POLÍTICA

Campanha de Lula deve limitar uso de IA em peças e fala em contraponto a Flávio

9 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Nos bastidores, campanha afirma que evitará uso do recurso especialmente em peças com a presença do presidente

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Integrantes da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que o uso de Inteligência Artificial (IA) nas peças que serão veiculadas durante o processo eleitoral será limitado. A ideia é fazer um contraponto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista nas eleições, que tem usado com frequência esse tipo de conteúdo.

Nos bastidores, a campanha afirma que evitará uso de IA especialmente em peças com a presença de Lula. A ideia é mostrar que o pré-candidato petista é um homem de verdade, não como personagem de Flávio, que tem aparecido em vídeos de IA pilotando aviões e com estética militar.

Na avaliação de aliados de Lula, é preciso chamar atenção para os riscos do uso da inteligência artificial usada para disseminar desinformação, com manipulação de informações por meio de montagens. Apesar dessa orientação do núcleo de comunicação da campanha, o próprio PT e aliados do presidente têm usado esse recurso em vídeos divulgados nas redes.

Desde o ano passado, grupos ligados ao PT têm divulgado vídeos com uso de inteligência artificial que criticam a atuação do Congresso e determinados parlamentares, além de associar políticos adversários de Lula ao escândalo do Banco Master. Um desses vídeos, inclusive, foi exibido em congresso organizado pelo PT neste ano.

O próprio Lula já problematizou o uso da IA em discursos. Recentemente, o petista afirmou que, nas eleições, “as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso” e que elas não podem “votar em uma mentira”.

— Se a gente quiser, a gente pode fazer o Lula artificial fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política. Porque se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos dele, para saber quem está mentindo— afirmou Lula em evento na Bahia, em maio.

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, que também tem assento na coordenação do petista, diz que o uso da IA em campanhas eleitorais por si só “não é um problema”, mas que a questão está “na forma e propósito de seu uso”.

— Se empenhada como auxílio técnico, como ferramenta de edição, por exemplo, como mecanismo de aprimoramento de conteúdos, ela é bem-vinda. O que é vedado pela legislação e estamos chamando atenção da Justiça Eleitoral é a utilização que a extrema-direita tem sistematicamente realizado para deepfakes, montagens grotescas, ataques pessoais, manipulação da verdade e para a desinformação— diz.

Valadares afirma ainda que há uma preocupação com o “expediente adotado pela campanha adversária” que, segundo ele, usa ferramentas de IA para “manipular a percepção pública sobre a realidade concreta dos fatos e põe em xeque a integridade e a lisura das eleições”.

Aliados de Lula reconhecem estar apreensivos com o uso da inteligência artificial durante a eleição diante da avaliação que as grandes empresas de tecnologia, as big techs, estão mais alinhadas com a direita mundialmente.

Campanhas digitais

No começo de junho, o PT lançou a plataforma “Porta-Vozes do Lula”, que pretende organizar a militância nas plataformas digitais, unificar o discurso governista e aumentar a presença do presidente nas redes sociais e fazer frente ao bolsonarismo. A iniciativa é formada por uma teia de grupos em aplicativos de mensagem em que serão enviados conteúdos para divulgação, além de tarefas específicas para serem cumpridas.

Um dos aliados que discursou no evento que marcou o lançamento da plataforma foi André Janones (Rede-MG), apontado como um parlamentar que consegue fazer frente ao bolsonarismo nas redes. Em sua fala, deu dica aos apoiadores de como atuar no ambiente digital e, entre as orientações, estava não responder às fake news de adversários e “criar versão dos fatos”.

Janones tem seus métodos questionados até mesmo por aliados, por causa da linguagem mais agressiva e com distorções dos fatos. No evento organizado pelo PT, disse que “desviar o foco não é mentir” e que isso é “você contar uma outra história, com outra visão”. A declaração foi criticada por apoiadores de Flávio.

A campanha do senador, por sua vez, tem usado frequentemente conteúdos feitos com IA. Em um deles, Flávio aparece pilotando uma aeronave e dispara contra embarcações que seriam do PCC e do CV, além de uma terceira com a identificação PT.

Essa peça foi alvo de uma representação apresentada pelo PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O partido acusou o senador de uso irregular de inteligência artificial e de propaganda eleitoral antecipada.


BS20260708214602.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/08/campanha-de-lula-deve-limitar-uso-de-ia-em-pecas-e-fala-em-contraponto-a-flavio.ghtml

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