
Fim da escala 6×1: nova PEC ajusta regras para categorias com jornadas diferenciadas
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Com resultado abaixo do esperado por analistas, setor perde ritmo e mantém trajetória predominantemente negativa desde maio

A indústria brasileira caiu 0,8% em setembro, puxada por um recuo na produção de combustíveis e alimentos. O número veio abaixo do esperado por analistas de mercado, que projetavam queda de 0,4%. Com o resultado, o setor chega ao quinto mês consecutivo sem apresentar crescimento. Em agosto, a queda foi de 0,7%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE.
O setor mantém uma trajetória predominantemente negativa desde maio. O crescimento acumulado no ano perdeu força, chegando a 0,4% neste mês, com quedas na maioria das atividades pesquisadas. No acumulado em 12 meses, a indústria ficou em 0,2% e teve queda de 2,5% ante o mesmo mês do ano anterior.
André Valério, economista sênior do Inter, explica que por ser um dos setores mais sensíveis à taxa de juros, há uma perspectiva negativa para a indústria com a pausa do ciclo de cortes da Selic e a piora na curva de juros.
— A produção industrial está em clara tendência de desaceleração e já estaria em recessão se não fosse a indústria extrativa e de derivados de petróleo, que no ano apresentam desempenho robusto — avalia o economista. — A dinâmica da produção industrial nos próximos meses ficará cada vez mais dependente da extração de petróleo.
O queda foi disseminada, com recuo em 17 das 25 atividades investigadas e em três das quatro grandes categorias econômicas. As principais contribuições para o recuo de setembro vieram dos setores de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e de produtos alimentícios (-1,7%). Neste último, a queda interrompeu dois meses consecutivos de crescimento.
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a menor produção de álcool etílico, derivados do petróleo e açúcar pesou no resultado.
“Vale destacar que essas atividades foram pressionadas pela redução no processamento da cana-de-açúcar, refletindo, em grande parte, os impactos provocados pelo maior volume de chuvas”, explicou.
Na direção oposta, as indústrias extrativas cresceram 1,7%, após quatro meses consecutivos de queda, e deram a principal contribuição positiva para o resultado geral. O avanço foi impulsionado pela maior extração de petróleo, gás natural e minério de ferro. Também ajudaram a conter a queda os setores de produtos químicos (1,7%) e de produtos do fumo (20,3%).
Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de capital, como máquinas e equipamentos, teve o maior recuo: 1,9%, após queda de 0,1% em agosto. A fabricação de bens de consumo semi e não duráveis caiu 1,2%, enquanto a de bens intermediários, usados na produção de outros itens, recuou 0,7%.
Os bens de consumo duráveis foram a única categoria a crescer em setembro, com alta de 0,7%. O avanço recuperou parte da perda de 1,3% registrada no mês anterior.
BS20261105130128.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/11/05/producao-industrial-cai-08percent-em-setembro-com-recuo-de-combustiveis-e-alimentos.ghtml

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