Valdemar se reúne com Flávio um dia após encontro com Michelle e intensifica articulação para conter crise no PL
1 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
Presidente da legenda tenta reconstruir relação entre senador e ex-primeira-dama após saída do comando do PL Mulher e sucessivos embates públicos
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, vai se reunir na tarde desta quarta-feira com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em Brasília, dando continuidade à operação para tentar conter a crise aberta entre o parlamentar e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que levou à saída dela da presidência do PL Mulher.
O encontro ocorre um dia depois de Valdemar receber Michelle na sede do partido. Na ocasião, a ex-primeira-dama comunicou a decisão de deixar o comando do segmento feminino da legenda, afirmou estar “cansada” da política, reclamou de não estar sendo ouvida nas decisões internas do partido e chegou a cogitar colocar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal à disposição, segundo relatos de aliados ouvidos pelo GLOBO. Ela também recusou o pedido do dirigente para participar da reunião organizada por Flávio com parlamentares e lideranças femininas nesta quarta-feira, alegando que nunca recebeu um convite diretamente do senador.
A sequência de encontros marca a atuação de Valdemar para tentar evitar que o conflito provoque novos desgastes à pré-campanha presidencial de Flávio. O presidente do PL chegou a antecipar o retorno de uma viagem de férias aos Estados Unidos para assumir pessoalmente a condução da crise.
Apesar das tentativas de Valdemar de reaproximar os dois, integrantes da cúpula do PL avaliam, sob reserva, que a crise atingiu um ponto sem volta. Na leitura desse grupo, a relação entre Michelle e Flávio se deteriorou de tal forma que dificilmente será reconstruída antes das eleições.
No último sábado, durante o lançamento das candidaturas do PL em Goiás, Valdemar já havia estado com Flávio. Ao seu lado no palanque, defendeu o senador:
— Flávio Bolsonaro foi escolhido pelo presidente Bolsonaro. Bolsonaro sempre fez a melhor escolha. Se escolheu Flávio, era porque era o melhor para o Brasil — afirmou.
Na mesma agenda, o dirigente evitou comentar diretamente o embate entre Flávio e Michelle. Questionado por jornalistas, disse que havia sido “proibido” por Jair Bolsonaro de falar sobre o assunto.
A crise começou após divergências sobre a condução das negociações do PL para a disputa ao Senado no Ceará. Michelle defendia que a vaga fosse destinada à vice-presidente do PL Mulher, a vereadora Priscila Costa (PL-CE), enquanto Flávio conduziu uma articulação que abriu espaço para uma composição com o grupo do deputado André Fernandes (PL-CE). O impasse rapidamente extrapolou as negociações locais e atingiu a relação entre madrasta e enteado.
Na semana passada, Michelle tornou o conflito público ao divulgar um vídeo de 26 minutos em que acusou Flávio de tê-la “humilhado” durante uma ligação telefônica, de excluí-la das decisões políticas do partido e afirmou que Eduardo e Carlos Bolsonaro promoveram ataques “coordenados” contra ela nas redes sociais. Flávio negou as acusações e disse nunca ter desrespeitado a ex-primeira-dama.
Mesmo depois da reunião entre Michelle e Valdemar, os sinais de tensão permaneceram. Na terça-feira, Eduardo Bolsonaro publicou nas redes sociais a mensagem “Como se perde algo que nunca se teve?”, reproduzindo quase literalmente uma postagem feita na véspera pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo. Aliados de Michelle interpretaram a publicação como uma nova indireta à ex-primeira-dama e um indicativo de que os ataques continuavam apesar da tentativa de pacificação.
Nos bastidores, a movimentação de Valdemar também ocorre após uma intervenção do próprio Jair Bolsonaro. Como revelou o GLOBO, o ex-presidente recebeu Flávio na última sexta-feira e pediu ao filho que encerrasse a crise e atuasse para conter os ataques dirigidos à ex-primeira-dama. Desde então, o presidente do PL assumiu as negociações com os dois lados para tentar impedir que o conflito continue produzindo reflexos sobre a campanha presidencial e sobre a relação do partido com o eleitorado feminino e evangélico, considerado estratégico para a disputa deste ano.